Trindade ; Reencarnação e o Concílio de Constantinopla

5 out

Trindade

 

No livro  Cristianismo e Espiritismo ,  Leon Denis escreve :

 

A noção da Trindade, colhida numa lenda hindu que era a expressão de um símbolo, veio obscurecer e desnaturar essa alta idéia de Deus.

 

A inteligência humana podia elevar-se a essa concepção do Ser eterno, que abrange o Universo e dá a vida a todas as criaturas : não pode a si mesma explicar como três pessoas se unem para constituir um só Deus.

 

Essa concepção trinitária, tão obscura, tão incompreensível, oferecia, entretanto, grande vantagem às pretensões da Igreja.

 

Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia ao poderoso Espírito, a que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor sobre ela recaía e assegurava o seu poder

Nisso está o segredo da sua adoção pelo Concílio de Nicéia.

 

As discussões e perturbações que suscitou essa questão agitaram os espíritos durante três séculos e só vieram a cessar com a proscrição dos bispos arianos, ordenada pelo imperador Constâncio, e o banimento do papa Líbero que recusava sancionar a decisão do Concílio.

 

A divindade de Jesus, rejeitada por três concílios, o mais importante dos quais foi o de Antioquia (269), foi, em 325, proclamada pelo de Nicéia, nestes termos :

 

“ A Igreja de Deus, católica e apostólica, anematiza os que dizem que houve um tempo em que o Filho não existia, ou que não existia antes de haver sido gerado”.

Essa declaração está em contradição formal com as opiniões dos apóstolos.

 

Ao passo que todos acreditavam o Filho criado pelo Pai,

os bispos do século IV proclamavam o Filho igual ao Pai, “eterno como ele, gerado e não criado”,

 

opondo assim um desmentido ao próprio Cristo, que dizia e repetia : “meu Pai é maior do  eu”.

 

 

Desculpem, mas não coloquei um Post importante sobre a História do Cristianismo e que deveria estar antes do Post A Divindade de Jesus. É este :

 

Reencarnação e o Concílio de Constantinopla

 

WW escreveu :

“E, quando encontram um ponto em que não há possibilidade de encaixar essa explicação, o espiritismo utiliza como argumento uma eventual deterioração da Bíblia no decorrer de suas traduções, ou mesmo ações propositais, supostamente “a mando”de papas que teriam ordenado alteração de textos, removendo conceitos como a reencarnação.”

 

WW, eis os textos  que provarão que, realmente a Bíblia foi deturpada.

 

Primeiro, veremos um pouco de HISTÓRIA.

 

 No livro A REENCARNAÇÃO segundo a Bíblia e a Ciência.,  José Reis Chaves (Escritor e bacharel em Comunicação e Expressão), escreveu :

 

Reencarnação no Concílio de Constantinopla (Orígenes x Império bizantino)

 

A preexistência do espírito é uma teoria que prega a existência do espírito, antes da existência do corpo.

 

Foi – como veremos em outro capítulo – uma das teses defendidas pelo grande sábio Orígenes, e que foi condenada pelo polêmico V Concílio Ecumênico de Constantinopla II (553).

 

Se o espírito fosse criado junto com o corpo, a este seria subordinada a existência daquele, mas o que aconteceu é justamente o contrário, pois jamais o espírito é subordinado ao corpo : “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita” (João 6: 63).

 

A preexistência do espírito com relação ao corpo vivificado por ele, é a base fundamental para a Teoria da Reencarnação, pois que, ao admitirmos o reencarne de um espírito, automaticamente estamos admitindo que ele já encarnou antes, pelo menos uma vez que seja.

 

Seria por isso que ela foi condenada pelo V Concílio Ecumênico de Constantinopla II, em 553 ?

É possível, pois as pressões do imperador Justiniano e  sua mulher Teodora,

 como veremos num outro capítulo, foram muito sérias, para não dizer um caso de polícia, como se diz hoje. Aliás, veremos que, na realidade, ela nem foi condenada por esse tal concílio

 

Orígenes é conhecido como um dos maiores sábios do cristianismo de todos os tempos. Foi praticamente o criador da nossa teologia cristã.

 

Porém, como sempre acontece com as pessoas cujo brilho ofusca a vista dos invejosos, ele foi vítima de inveja por parte de Demétrio, bispo de Alexandria.

 

Mas, Orígenes, num exemplo  de humildade e obediência a seu superior eclesiástico, procurava cumprir todas as ordens, pois desejava ordenar-se padre. Demétrio, porém, negava-lhe a ordenação.

 

Foi então que o bispo de Jerusalém, Alexandre, e de Cesaréia, Teoctisto, ofereceram a Orígenes a ordenação, o que é óbvio ele aceitou.

 

Com isso, Demétrio ficou irado, tentando de todos os meios prejudicar o nome de Orígenes perante a Igreja. E, infelizmente, Demétrio conseguiu o seu objetivo.

 

Porém, perante Deus, a História do Cristianismo e mesmo perante a Igreja de hoje, Orígenes é admirado e citado freqüentemente por estudiosos e pesquisadores da Bíblia, da Filosofia e da Teologia.

 

Embora ele tenha tido algumas de suas idéias condenadas pela Igreja, duas delas continuam sendo atacadas normalmente, e não só por católicos, mas por protestantes também.

 

E foi o polêmico V Concílio Ecumênico de Constantinopla II, de 553, que condenou suas doutrinas célebres:

 

a Preexistência do Espírito e a Apocatástase (restauração de todas as coisas), as quais a humanidade, hoje, está amadurecida para entendê-las, julgá-las e aceitá-las. ( O V Concílio Ecumênico de Constantinopla II (553)

 

A Igreja teve alguns concílios tumultuados. Mas parece que o V Concílio de Constantinopla II (553) bateu o recorde em matéria de  desordem e mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa Virgílio, papa da época.

 

O imperador Justiniano tem seus méritos, inclusive o de ter construído, em 552, a famosa Igreja de Santa Sofia, obra-prima da arte bizantina, hoje uma mesquita muçulmana.

 

Era um teólogo que queria saber mais de teologia do que o papa. Sua mulher, a imperatriz Teodora, foi uma cortesã e se imiscuía nos assuntos do governo do seu marido, e até nos de teologia.

 

Contam alguns autores que, por ter sido ela uma prostituta, isso era motivo de muito orgulho por parte das suas ex-colegas.

 

Ela sentia, por sua vez, uma grande revolta contra o fato de suas ex-colegas ficarem decantando tal honra, que, para Teodora, se constituía em desonra.

 

Para acabar com esta história, mandou eliminar todas as prostitutas da região de Constantinopla – cerca de quinhentas.

 

Como o povo naquela época era reencarnacionista, apesar de ser em sua maioria cristão, passou a chamá-la de assassina, e a dizer que deveria ser assassinada, em vidas futuras, quinhentas vezes; que era seu carma por ter mandado assassinar as suas ex-colegas prostitutas.

 

O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina da reencarnação.

 

Como mandava e desmandava em meio mundo através de seu marido, resolveu partir para uma perseguição, sem tréguas contra essa doutrina e contra o seu maior defensor entre os cristãos, Orígenes, cuja fama de sábio era motivo de orgulho dos seguidores do Cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três séculos antes.

 

Como a doutrina da reencarnação pressupõe a da preexistência do espírito, Justiniano e Teodora partiram, primeiro, para desestruturar a da preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da reencarnação.

 

Em 543, Justiniano publicou um édito, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas a da preexistência.

 

Em seguida à publicação do citado édito, Justiniano determinou ao patriarca Menos de Constantinopla que convocasse um sínodo, convidando os bispos para que votassem em seu édito, condenando dez anátemas dele constantes e atribuídos a Orígenes.

 

Vamos ver agora essa cláusula na íntegra :

“Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas  preexistem na condição de inteligências e de santos poderes: que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anematizado!

 

Assim, o V Concílio Ecumênico de Constantinopla II (553) foi  usado injustamente, por ignorância ou má-fé, como um instrumento de condenação pela Igreja da teoria da reencarnação, instrumento esse, sem dúvida, fruto de uma das muitas manipulações feitas por Justiniano e Teodora dentro da Igreja,

 

em mais um exemplo de que o fanatismo religioso é nocivo aos verdadeiros princípios do Cristianismo e de outras religiões, pois o homem, enquanto fanático, não pode ter uma verdadeira experiência com Deus.

 

O fanatismo o faz perder, frequentemente, o respeito e o amor para com seu semelhante, colocando-o, por isso, mais distante de Deus do que um ateu, uma vez que nosso amor para com Deus passa pelo crivo do amor a nosso semelhante.”

 

O próximo Post será sobre as Mudanças nas Escrituras.

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