A Bíblia e o Espiritismo

1 abr

A Bíblia e o Espiritismo

 

Este estudo que vou apresentar, foi feito pelo Dr. Severino Celestino da Silva, autor do livro Analisando as Traduções Bíblicas

 

As Escrituras foram , inicialmente , escritas no século XIV a.C, segundo a Bíblia on line.

 

 

A Bíblia e o Espiritismo

 

 Severino Celestino da Silva

A palavra Bíblia vem do grego  (biblia = plural de biblion ou biblios = livro), portanto é um conjunto de livros.

 

Em hebraico, a Bíblia chama-se O TANACH (o vocábulo é masculino) e constitui o livro sagrado dos hebreus.

Narra a história da saída de Abraão da cidade de UR na Caldéia em busca da terra prometida (CANAAN).

 

A palavra “HEBREU” vem do hebraico “EVER” ( ‘ivri) e pode ter dois significados:

 

Em Gen. 14 : 13 , Ever ( hebreu) é uma denominação dada a Abrão.

Desta forma, “ ‘ivrim ” seriam os descendentes de EVER,  (Abraão) e o termo designaria grupos étnicos.

 

Pode significar também “a outra margem”.

Em Josué 24 : 2 diz-se que “além do rio” (B’ever hanahar) ficaram os países de vossos pais, e tomei vosso pai (Avraham), Abraão, da outra margem do rio...“refere-se aos povos que vieram do outro lado do rio Eufrates, de onde veio Abraão.

Neste caso, o termo tem um significado geográfico, étnico e social”.

 

A Bíblia hebraica é constituída de 24 livros que narram toda a trajetória do povo hebreu e não possui o que nós ocidentais chamamos de “Novo Testamento”.

 

Para as religiões ocidentais, a Bíblia divide-se em duas grandes partes, chamadas respectivamente de VELHO TESTAMENTO E NOVO TESTAMENTO,

constituído, este último, dos livros sagrados do Cristianismo e das religiões dele derivadas ou seja:

Igreja Católica, Protestante, Ortodoxa Grega, Ortodoxa Russa, Armênia, Copta, Maronita, etc.

 

O termo “testamento” vem do hebraico (berit) que significa “Aliança”, do grego (diathéke) e finalmente no latim (testamentum), significando a antiga Aliança do Sinai para o judaismo e a Nova Aliança de Jesus, o Cristo para o cristianismo.

 

Existem portanto, como conseqüência, três tipos de Bíblia a definir:

 

A Bíblia Judaica que para nós constitui o Velho Testamento, ou o Tanách com 24 livros,

a Bíblia protestante com 66 livros

e a Católica com 73 livros.

 

Ta-na-ch representa as iniciais dos três conjuntos de livros que formam a Bíblia hebraica:

 

A Torá, Revelação ou Ensinamento que é formada pelos cinco livros de Moisés, que juntos formam o Pentateuco

(no grego, penta = cinco + teuco= livro (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).

 

Neviim ou Profetas, além dos livros que hoje chamamos de históricos. São em número de 8 livros. Ketuvim ou Escritos.

 

Os Judeus designam por este nome, os livros dos Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester e Daniel, até aqui, são nove livros mais Esdra e Neemias ( um só livro) e as Crônicas I e II, – Divrei Iamim- ( um só livro), num total de 11 livros, perfazendo assim, um total de 24 livros.

 

Este conjunto representa, para os ocidentais, o Velho Testamento.

Conseqüentemente, a Bíblia Judaica não possui Novo Testamento.

 

É muito importante a necessidade de um estudo profundo e atualizado que traga um conhecimento novo para as verdades existentes na Bíblia.

A Bíblia está repleta de passagens que trazem, através do povo hebreu, luzes para revelação de um monoteísmo, onde Deus é evidenciado como único e universal.

 

Em todo seu conteúdo e história, encontramos passagens e fatos que ratificam e comprovam os fenômenos mediúnicos em suas várias categorias, através dos profetas, que eram na verdade grandes médiuns.

 

O espírita não pode ficar à parte destes conhecimentos e preocupa-nos muito a visão equivocada de alguns com relação à Bíblia.

A grande maioria dos cristãos divide a Bíblia em Velho e Novo Testamento, afirmando que só o Novo Testamento é que tem importância para estudo, considerando o Velho Testamento apenas como aspecto histórico.

 

Kardec não pensa assim e utiliza inclusive, o termo PRIMEIRA REVELAÇÃO, em lugar de “Velho Testamento”, o que está de pleno acordo com o significado hebraico de BERIT RISHON que significa Primeira Revelação.

 

Se fizermos um estudo no Livro dos Espíritos vamos encontrar observações do Espírito de Verdade e do próprio Kardec que demonstram um conceito diferente e de pleno acordo com o significado Bíblico.

 

Analisemos o que diz Kardec no Livro dos Espíritos, na questão 59, referente à criação.

Kardec afirma que a Bíblia não é um erro, mas que os homens se equivocaram ao interpretá-la.

 

Na obra o Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec utiliza vários capítulos sobre temas da Primeira Revelação.

 

E assim, temos:

 

Primeiro capítulo. Não Vim Destruir a Lei, onde Kardec cita os Dez Mandamentos, todos extraídos do Êxodo capítulo 20.

 

I. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis, diante de mim, outros deuses estrangeiros. – Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano.

 

II. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.

 

III. Lembrai-vos de santificar o dia do sábado.

 

IV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.

 

V. Não mateis.

 

VI. Não cometais adultério.

 

VII. Não roubeis.

 

VIII. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo.

 

IX. Não desejeis a mulher do vosso próximo.

 

X. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.

 

 

Quarto capítulo: Não pode ver o reino de Deus, senão aquele que renascer de novo, onde Kardec cita o profeta Isaías 26 : 19 e

Jó 14 : 10 e 14.

 

 Isaías 26 : 19 –  Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão;

despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos.

 

 Jó 14 : 10 – O homem, porém, morre e fica prostrado;

expira o homem e onde está?

 

Jó 14 : 14 – Morrendo o homem, porventura tornará a viver?

Todos os dias da minha luta esperaria, até que eu fosse substituído.

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Observação minha : No livro O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. IV – item 14, há a seguinte informação sobre estes versículos:

 

14. Mas, quando o homem há morrido uma vez, quando seu corpo, separado de seu espírito, foi consumido, que é feito dele?

-Tendo morrido uma vez, poderia o homem reviver de novo?

Nesta guerra em que me acho todos os dias da minha vida, espero que chegue a minha mutação. (JÓ, cap. XIV, v. 10,14. Tradução de Le Maistre de Sacy.)

 

Quando o homem morre, perde toda a sua força. expira.

Depois, onde está ele?

-Se o homem morre, viverá de novo?

Esperarei todos os dias de meu combate, até que venha alguma mutação? (ID. Tradução protestante de Osterwald.)

 

Quando o homem está morto, vive sempre;

acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo. (ID. Versão da Igreja grega.)

 

15. Nessas três versões, o princípio da pluralidade das existências se acha claramente expresso.

Ninguém poderá supor que Jó haja querido falar da regeneração pela água do batismo, que ele de certo não conhecia.

“Tendo o homem morrido uma vez, poderia reviver de novo?”

A idéia de morrer uma vez, e de reviver implica a de morrer e reviver muitas vezes.

 

A versão da Igreja grega ainda é mais explícita, se é que isso é possível:

“Acabando os dias da minha existência terrena, esperarei, porquanto a ela voltarei”, ou, voltarei à existência terrestre.

Isso é tão claro, como se alguém dissesse: “Saio de minha casa, mas a ela tornarei.”.

 

“Nesta guerra em que me encontro todos os dias de minha vida, espero que se dê a minha mutação.”

Jó, evidentemente, pretendeu referir-se à luta que sustentava contra as misérias da vida.

Espera a sua mutação, isto é, resigna-se.

 

Na versão grega, esperarei parece aplicar-se, preferentemente, a uma nova existência:

“Quando a minha existência estiver acabada, esperarei, porquanto a ela voltarei.”

Jó como que se coloca, após a morte, no intervalo que separa uma existência de outra e diz que lá aguardará o momento de voltar.

 

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 Vamos, então, voltar ao texto do Dr. Celestino :

 

Décimo quarto capítulo: Honrar Pai e Mãe, Êxodo 20 : 12.

Êxodo 20 : 12 – Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.

 

Na questão 275, o Espírito de Verdade nos manda ler os Salmos.

 

Na questão 560, cita o Eclesiastes como verdade superior.

 

Na questão 1009, Platão, em mensagem, afirma que é, no sentido relativo, que se deve interpretar os textos sagrados.

 

Na questão 1010, São Luís informa que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas”.

Como se pode desconhecer estas colocações dos espíritos superiores?

 

O Novo Testamento, para ratificar a sua autenticidade, cita os livros do Velho Testamento como os Salmos, os Provérbios, os profetas, além de inúmeras outras passagens.

Veja por exemplo, o Evangelho de Mateus que foi escrito para os judeus convertidos ao cristianismo e apresenta citações do Antigo Testamento em todos os seus capítulos.

 

O Apocalipse de João, ditado pelo Cristo, possui 404 versículos, dos quais 278 referem-se ao Antigo Testamento.

Será que as pessoas, que pensam assim com relação ao Antigo Testamento, estão corretas em seu raciocínio?

 

E o Dr. Severino continua, colocando um texto de Emmanuel :

 

Emmanuel, em seu livro “A Caminho da Luz”, na página 67, faz referência ao Judaísmo e ao Cristianismo.

Reproduzimos aqui o texto, na íntegra, para sua reflexão:

 

“Estudando-se a trajetória do povo israelita, verifica-se que o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres deste povo poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas mais remotas.

 

Eminentes espiritualistas franceses, nestes últimos tempos, procuraram penetrar os seus obscuros segredos e, todavia, aproximando-se da realidade com referência às interpretações, não lhes foi possível solucionar os vastos problemas que as suas expressões oferecem.

 

Os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus.

 

 Contudo, e não obstante a sua feição esfingética (enigmática, misteriosa), é no conjunto um poema de eternas claridades. Seus cânticos de amor e de esperança atravessam as eras com o mesmo sabor indestrutível de crença e de beleza.

 

 É por isso que, a par do evangelho, está o Velho Testamento tocado de clarões imortais, ( grifos nossos – Severino) para a visão espiritual de todos os corações.

Uma perfeita conexão reúne as duas leis, que representam duas etapas diferentes do progresso humano.

 

 Moisés, com a expressão rude de sua palavra primitiva, recebe do mundo espiritual as leis básicas do Sinai, construindo deste modo o grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo;

e Jesus, no Tabor, ensina a humanidade a desferir, das sombras da terra, o seu vôo divino para as luzes do céu”.

 

Que acha? Emmanuel está equivocado?

 

O que nos falta, na verdade, é o conhecimento mais aprimorado da Bíblia para descobrirmos que ela endossa a Doutrina dos espíritos e está de mãos dadas com ela. Que ambos se completam.

 

Por isso, achamos inconcebível o desconhecimento destas questões, não só pelos espíritas, como também por todos os cristãos de qualquer credo religioso que em vez de procurarem compreender estas verdades através do estudo, passam, como a maioria das pessoas, a criticar o que desconhecem.

 

 Vejamos o texto da questão 1010 do Livro dos Espíritos acerca da Bíblia: 

 

Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas.

 

Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis.

 

Mas como é chegado o tempo de não mais empregar a linguagem figurada, eles se exprimem sem alegoria e dão às coisas um sentido claro e preciso que não possa estar sujeito a nenhuma interpretação falsa.

 

Eis porque, dentro de algum tempo, tereis mais pessoas sinceramente religiosas e crentes que as que não tendes hoje”.

 

 

Vejamos, finalmente, a opinião de Jesus a respeito da Torá ou Primeira Revelação:

 

“Não penseis que vim destruir a Torá (Bíblia) ou os profetas. Eu não vim para destruir, mas para cumprir”. Mateus 5 : 17.

 

No versículo 18 deste mesmo capítulo Jesus acrescenta:

“Em verdade vos digo: enquanto os céus e a terra não passarem, nem um “iud” nem um sinal da Torá passará antes que tudo seja cumprido”.

 

O “iud” é a menor letra do alfabeto hebraico.

 

Jesus quer dizer que tudo que tem na Torá é importante até mesmo a menor letra tem importância e que tudo que ali se encontra é verdadeiro e não passará nada da Torá sem acontecer ou ser cumprido conforme a vontade de Deus.

 

E conclui Jesus ainda no capítulo 5 : 19 de Mateus:

 

“Assim, o homem que deturpa um desses mandamentos, por menor que seja, e o ensina aos homens, será chamado o menor no reino dos Céus.

Mas quem pratica e ensina, este será chamado “Grande” no reino dos Céus”.

 

Estes três versículos (17, 18 e 19) do cap. 5 do evangelho de Mateus servem para nossa análise sobre a opinião de Jesus sobre a Primeira Revelação.

Diante do exposto, ficam patentes as opiniões de Kardec, do Espírito de Verdade, de Emanuel e de Jesus sobre a Bíblia, Primeira Aliança ou Primeira Revelação.

 

“Se você leitor, pessoalmente não gosta ou não aceita a Primeira Aliança ou Primeira Revelação, nós respeitamos a sua OPÇÃO PESSOAL,

mas não utilize o nome da Doutrina Espírita, do espírito de Verdade, de Kardec ou de Jesus, para justificar sua opção,

pois segundo os motivos expostos acima, todos dedicam respeito e recomendam o nosso entendimento e cumprimento do que existe na TORÁ.”

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O próximo Post será sobre a proibição da comunicação com os mortos.

 

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