ESPÍRITO E MATÉRIA

9 maio

ESPÍRITO E MATÉRIA

 

O Livro dos Espíritos2ª Parte – Capítulo 2 – Dos Elementos Gerais do Universo.

 

Dos Elementos Gerais do Universo

Conhecimento do princípio das coisas

17 É permitido ao homem conhecer o princípio das coisas?

Não, Deus não permite que tudo seja revelado ao homem aqui na Terra.

18 O homem penetrará um dia no mistério das coisas que lhe são ocultas?

O véu se levanta para ele à medida que se depura;

mas, para compreender algumas coisas, precisa de faculdades, dons, que ainda não possui.

 

João  14 : 26  –  mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

 

João  16 : 13  –  14

13  quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade;

porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.

 

14  Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

19 O homem não pode, pelas investigações das ciências, penetrar em alguns dos segredos da natureza?

A ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas, mas não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.

 

Quanto mais é permitido ao homem penetrar pelo conhecimento nesses segredos, maior deve ser sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador;

 

Salmos  111 :  2  – 4

2  Grandes são as obras do SENHOR, consideradas por todos os que nelas se comprazem.

3  Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre.

4  Ele fez memoráveis as suas maravilhas; benigno e misericordioso é o SENHOR.

 

Provérbios  3 : 19  –  20

19  O SENHOR com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus.

20  Pelo seu conhecimento os abismos se rompem, e as nuvens destilam orvalho.

 

mas, seja pelo orgulho ou fraqueza, sua própria inteligência o torna, muitas vezes, joguete da ilusão.

Amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros.

São outras tantas decepções para o seu orgulho.

 

Provérbios  29 : 23 –  A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.

 

20 Fora das investigações da ciência, é permitido ao homem receber comunicações de uma ordem mais elevada sobre o que escapa ao alcance dos seus sentidos?

Sim, se Deus julgar útil, pode revelar o que a ciência não consegue apreender.

 

É por essas comunicações que o homem obtém, dentro de certos limites, o conhecimento de seu passado e de sua destinação futura.

 

Ezequiel  37  : 9  –  10

Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

10  Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso.

Observação: Profecia de Ezequiel sobre o futuro do povo hebreu, onde, nos últimos tempos, todos estão se reunindo em Israel, através da Reencarnação.

 

Espírito e matéria

21 A matéria existe desde o princípio, como Deus, ou foi criada por Ele em determinado momento?

Somente Deus o sabe.

Entretanto, há uma coisa que a vossa razão deve deduzir: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo.

Por mais remoto que possa vos parecer o início de sua ação, acaso o podereis imaginar por um segundo sequer na ociosidade?

 

João 5 : 17 – Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

 

22 Define-se, geralmente, a matéria como sendo o que tem extensão, o que pode causar impressão aos nossos sentidos, o que é impenetrável. Essas definições são exatas?

Do vosso ponto de vista são exatas, visto que somente falais do que conheceis.

Mas a matéria existe em estados que para vós são desconhecidos.

Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não cause nenhuma impressão aos vossos sentidos;

entretanto, é sempre matéria, embora para vós não o seja.

Observação : Em 1857, os Espíritos Superiores nos disseram que a matéria existia em estados desconhecidos ( naquela época).

Hoje, a Ciência já pode comprovar o que foi dito.

 

Vejam o que escreve  ALEXANDRE FONTES DA FONSECA em UM ENSAIO SOBRE MATÉRIA E ENERGIA.


A definição mais comum de matéria é a de qualquer coisa que tenha massa e ocupe volume de espaço[5].

 

Segundo a Física Moderna, a ocupação de espaço por parte da matéria decorre do fato dos elétrons, que possuem uma propriedade magnética intrínseca chamada spin de valor semi-inteiro igual a 1/2, não poderem ocupar as mesmas regiões espaciais em torno do núcleo de um átomo. Isso causa a sensação de repulsa entre dois objetos.

 

Partículas que possuem spin de valor semi-inteiro (1/2, 3/2, 5/2, etc.) são chamadas de férmions, e os constituintes da matéria ordinária que conhecemos, como os prótons, neutrons e elétrons, são férmions.

 

A teoria quântica demonstra que os férmions não podem ocupar os mesmos estados quânticos num sistema, incluindo-se a posição no espaço, explicando, assim, a concepção de que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar”.

 

Entretanto, na natureza existe, também, outro tipo de partículas chamadas bósons. Elas tem a propriedade de possuir spin de valor inteiro (0, 1, 2, etc.).

 

Ao contrário dos férmions, e por mais incrível que possa parecer, os bósons podem ocupar o mesmo estado quântico, incluindo ocupar a mesma região do espaço.

 

Por causa dessas propriedades, os bósons são considerados pela Física como as partículas “que carregam a força”.

 

O fóton, por exemplo, que é um “quantum” de radiação eletromagnética, é o bóson que “carrega” a força eletromagnética.

 

Vários fótons de diferentes radiações eletromagnéticas podem ocupar o mesmo espaço, a prova disso é o fato de termos num mesmo ambiente ondas de rádio, TV, celular, etc., sem que uma interfira na outra.

 

A teoria da Física que, nos dias de hoje, estuda as propriedades de todos os tipos de partículas é chamada Modelo Padrão [5].

 

Segundo o Modelo Padrão, a matéria dita ordinária (isto é, a matéria que conhecemos) é composta por partículas elementares, isto é, partículas que não possuem estrutura interna e, por isso, são chamadas de elementares.

 

Por exemplo, os prótons não são partículas elementares pois são formados por três quarks.

Estes, por sua vez, não seriam formados por outras partículas sendo, portanto, elementares.

 

Os chamados léptons, a cuja classe pertence o elétron, também são partículas elementares.

 

O Modelo Padrão foi desenvolvido em 1970 e tem grande aceitação entre os físicos.

Sua única limitação, atualmente, é não descrever ainda a força de interação gravitacional devido às massas das partículas.

Acredita-se, que a descoberta do chamado bóson de Higgs possa esclarecer esse ponto dentro do contexto desta teoria [5].

 

http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/F_autores/FONSECA_Alexandre_tit_Um_ensaio_sobre_materia_e_energia.htm

 

Continuando o texto de O Livro dos Espíritos – 2ª Parte – Capítulo 2Dos Elementos Gerais do Universo.

 

22 a Que definição podeis dar da matéria?

A matéria é o laço que prende o Espírito;

é o instrumento de que ele se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.

 

De acordo com essa idéia, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário, com a ajuda do qual, e sobre o qual, atua o Espírito.

 

23 O que é o Espírito?

Espírito é o princípio inteligente do universo.

 

23 a Qual é a natureza íntima do Espírito?

Não é fácil explicar o Espírito com a vossa linguagem.

Para vós, ele não é nada, visto que o Espírito não é algo palpável, mas para nós é alguma coisa.

Sabei bem: o nada não é coisa nenhuma, o nada não existe.

 

24 Espírito é sinônimo de inteligência?

A inteligência é um atributo essencial do Espírito, mas ambos se confundem num princípio comum, de modo que, para vós, são a mesma coisa.

 

25 O Espírito é independente da matéria ou é apenas uma propriedade dela, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?

Ambos são distintos, mas é preciso a união do Espírito e da matéria para que a inteligência se manifeste na matéria.

 

25 a Essa união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito? (Entendemos, aqui, por espírito o princípio inteligente, e não as individualidades designadas sob esse nome).

Ela é necessária para vós, porque não sois organizados para perceber o Espírito sem a matéria;

vossos sentidos não são feitos para isso.

 

26 Pode-se conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?

Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento.

 

27 Haveria, assim, dois elementos gerais do universo: a matéria e o Espírito?

Sim, e acima de tudo Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas.

Deus, Espírito e matéria são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal.

 

Mas ao elemento material é preciso acrescentar o fluido universal, que faz o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o Espírito possa ter uma ação sobre ela.

Ainda que sob certo ponto de vista se possa incluí-lo no elemento material, ele se distingue por propriedades especiais.

 

Se o fluido universal fosse matéria, não haveria razão para que o Espírito não o fosse também.

Ele está colocado entre o Espírito e a matéria;

é fluido, como a matéria é matéria;

suscetível, por suas inumeráveis combinações com ela e sob a ação do Espírito, de poder produzir uma infinita variedade de coisas das quais conheceis apenas uma pequena parte.

 

Esse fluido universal, primitivo, ou elementar, sendo o agente que o Espírito utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de dispersão e nunca adquiriria as propriedades que a força da gravidade lhe dá.

 

27 a Seria esse fluido o que designamos sob o nome de eletricidade?

Dissemos que ele é suscetível de inumeráveis combinações;

o que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar como independente.

 

28 Uma vez que o próprio Espírito é alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusões designar esses dois elementos gerais pelas palavras: matéria inerte e matéria inteligente?

As palavras pouco nos importam; cabe a vós formular vossa linguagem de maneira a vos entenderdes.

Vossas controvérsias surgem quase sempre do que não compreendeis sobre as palavras que usais, porque vossa linguagem é incompleta para as coisas que os vossos sentidos não percebem.

 

Um fato notório domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e vemos um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a ligação dessas duas coisas nos são desconhecidas.

 

Se elas vêm ou não de uma fonte comum, se há pontos de contato entre elas, se a inteligência tem sua existência própria ou se é uma propriedade, um efeito ou mesmo, conforme a opinião de alguns, se é uma emanação da Divindade, é o que ignoramos.

 

Elas nos aparecem distintas, é por isso que nós as admitimos como formando dois princípios que constituem o universo.

 

Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras e as governa, que se distingue por seus atributos essenciais.

 

É a essa inteligência suprema que chamamos Deus.

 

 

Propriedades da matéria

29 A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria?

Da matéria, assim como a entendeis, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal.

A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós, mas nem por isso deixa de ser o princípio de vossa matéria pesada.

 

Ponderabilidade: que se pode medir, pesar, quantificar (N. E.).

 

A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há nem acima, nem abaixo.

30 A matéria é formada de um único ou de vários elementos?

De um único elemento primitivo.

Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, mas transformações da matéria primitiva.

 

31 De onde vêm as diferentes propriedades da matéria?

São modificações que as moléculas elementares sofrem por sua união e em determinadas circunstâncias.

 

32 Diante disso, os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos apenas seriam modificações de uma única e mesma substância primitiva?

Sim, sem dúvida, e que apenas existem pela disposição dos órgãos destinados a percebê-los.

 

Esse princípio é demonstrado pelo fato de que nem todo mundo percebe as qualidades dos corpos da mesma maneira:

um acha uma coisa agradável ao gosto, outro a acha ruim;

uns vêem azul o que outros vêem vermelho;

o que é um veneno para uns é inofensivo ou salutar para outros.

 

33 A mesma matéria elementar é suscetível de passar por todas as modificações e adquirir todas as propriedades?

Sim, e é o que se deve entender quando dizemos que tudo está em tudo*.

 

O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos como simples são somente modificações de uma substância primitiva.

Na impossibilidade em que nos encontramos até o presente de conhecer, a não ser pelo pensamento, essa matéria primitiva, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem maiores conseqüências, considerá-los assim, até nova ordem.

 

* Esse princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar, pela vontade, a uma substância qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um gosto determinado e mesmo as qualidades ativas de outras substâncias.

 

Uma vez que há apenas um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos são somente modificações desse elemento, resulta que a substância mais inofensiva tem o mesmo princípio que a mais prejudicial.

 

Assim, a água, que é formada de uma parte de oxigênio e de duas de hidrogênio, torna-se corrosiva duplicando-se a proporção de oxigênio.

Uma transformação semelhante pode se produzir pela ação magnética dirigida pela vontade (N. K.).

33 a E essa teoria parece dar razão à opinião daqueles que só admitem na matéria duas propriedades essenciais, a força e o movimento, e pensam que todas as outras propriedades são apenas efeitos secundários, variando de acordo com a intensidade da força e a direção do movimento?

Essa opinião é exata.

É preciso também acrescentar: conforme a disposição das moléculas, como vês, por exemplo, num corpo opaco, que pode tornar-se transparente, e vice-versa.

 

34 As moléculas têm uma forma determinada?

Sem dúvida, as moléculas têm uma forma, que não é perceptível para vós.

 

34 a Essa forma é constante ou variável?

Constante para as moléculas elementares primitivas e variável para as moléculas secundárias, que são somente aglomerações das primeiras;

porque aquilo que chamais molécula ainda está longe da molécula elementar.

 

Observação : Na 1ª Categoria do Blog, há um Post sobre Espiritismo e Ciência – Física Quântica, onde Alexandre Fontes da Fonseca, apresenta um estudo sobre o assunto.

Vou reproduzi-lo, para melhor compreensão deste texto :

 

A Física Quântica e as questões 34 e 34-a de O Livro dos Espíritos

Alexandre Fontes da Fonseca -Dallas – TX – EUA

Desde a publicação da 1ª edição de O Livro dos Espíritos [1] (LE), a Ciência progrediu de modo significativo, beneficiando a humanidade de diversas formas.

 

Os fundamentos básicos do Espiritismo, entretanto, permaneceram inalterados e atuais, não tendo sofrido em nada frente às novas descobertas da Ciência.

 

As razões dessa firmeza científica da Doutrina Espírita já foram explicadas há mais de 10 anos em artigo publicado no Reformador, em 1994, pelo Prof. Silvio S. Chibeni [2].

Em poucas palavras, a solidez do Espiritismo decorre do fato de que seus princípios fundamentais se encontram próximos do nível fenomênico, isto é, próximo dos fenômenos e fatos investigados por Allan Kardec.

 

Isso não nos exime do estudo constante e da análise das obras básicas do Espiritismo frente ao desenvolvimento das Ciências, conforme a recomendação mesma de Kardec de que

caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. (Item 55 do cap. I de A Gênese [3]).

 

Alguns companheiros, ainda que muito bem intencionados na busca pela verdade, acreditam que a resposta dada pelos Espíritos à questão 34 contém um erro científico que, conforme a recomendação de Kardec, deveria ser corrigido.

 

Cumprindo um dever de esclarecimento, buscamos na própria Ciência, especificamente na Física Quântica, a chave para o entendimento das questões 34 e 34-a, mostrando ao leitor que elas estão corretas do ponto de vista do conhecimento científico atual, e que apenas houve engano na interpretação dos conceitos científicos.

 

Transcreveremos as duas questões a seguir:

 

34. As moléculas têm forma determinada?

“Certamente as moléculas têm uma forma, mas que não podeis apreciar.”

 

34-a. Essa forma é constante ou variável?

“Constante para as moléculas elementares primitivas, mas variável para as moléculas secundárias, que não são mais que aglomerações das primeiras.

 

Porque, o que chamais molécula ainda está longe da molécula elementar.”

 

O suposto erro da resposta à questão 34 decorreria de os Espíritos dizerem que não podemos apreciar a forma das moléculas. Segundo alguns companheiros, a Física e a Química já desenvolveram métodos experimentais para a visualização de moléculas e mesmo de átomos individuais.

 

Citam-se os resultados de experimentos com os chamados microscópios de tunelamento e estudos teóricos sobre a geometria molecular como bases para concluir-se que as moléculas têm formas determinadas, contrariando a resposta dos Espíritos.

O equívoco desta conclusão está justamente na interpretação dos resultados desses experimentos e dessas previsões teóricas.

 

O microscópio de tunelamento [4] é um aparelho desenvolvido para estudar-se a superfície de materiais em escala atômica.

 

Ele se baseia no fenômeno conhecido como tunelamento quântico, no qual elétrons da ponta do microscópio atravessam o vácuo entre a ponta e a superfície do material, em decorrência da probabilidade quântica de tal travessia ocorrer, e não por ter energia suficiente para isso.

Assim, através da medição da corrente elétrica que flui através da ponta do microscópio, um programa de computador constrói, com base na teoria quântica, uma imagem artificial do que seria a densidade de elétrons dos átomos da superfície da amostra, na medida em que a ponta se move sobre ela.

Portanto, a imagem que se vê não é uma imagem real dos átomos, mas sim um modelo criado pela Ciência para a compreensão dos fenômenos físicos em escala atômica.

 

A questão da forma das moléculas necessita uma análise cuidadosa. O conceito de forma está ligado à aparência, feição, configuração, o que é algo fácil de definir para um objeto macroscópico por causa da facilidade em delinearmos sua superfície.

 

No caso de uma molécula, o que delimita a sua superfície? Suponha que a forma de uma molécula seja definida pela região do espaço ocupada pelos elétrons dos átomos dessa molécula, a chamada nuvem eletrônica.

 

A teoria quântica prevê qual região do espaço é mais provável de se encontrar tais elétrons. Tal região poderia ser tomada, então, como sendo a forma mais provável da molécula, mas nunca a forma absoluta da mesma.

 

Quando a Ciência diz, por exemplo, que o benzeno tem a forma de um hexágono, ou que moléculas formadas por dois átomos são lineares, não está determinando com precisão a forma absoluta dessas moléculas.

 

Essas são, apenas, algumas das propriedades e simetrias estruturais dessas moléculas.

Por exemplo, no caso do benzeno, existe um fenômeno conhecido como ressonância [5] entre duas formas possíveis para a estrutura eletrônica dessa molécula, pois não se pode determinar a priori onde alguns dos seus elétrons se localizam. Isso é um exemplo de indeterminação na forma do benzeno.

 

Com base nisso, analisemos agora a questão 34 do LE.

 

Kardec pergunta se as moléculas têm forma determinada, isto é, bem definida.

Os Espíritos dizem que as moléculas têm uma forma, mas que não podemos apreciá-la.

 

Ter uma forma que não se pode apreciar ou medir com precisão é equivalente a dizer que as moléculas não possuem uma forma bem definida.

Essa resposta está, portanto, em pleno acordo com o que a teoria quântica prevê para a forma das moléculas.

 

Somos incapazes de apreciar de modo preciso a forma das moléculas por causa da natureza probabilística da teoria quântica.

Por causa do princípio de incerteza de Heisenberg, jamais teremos total certeza sobre a posição dos elétrons de uma molécula e, conseqüentemente, da sua forma.

 

Kardec, para elucidar ainda mais a questão, propõe a pergunta 34-a sobre a variação na forma das moléculas.

 

Daí os Espíritos dizem que as moléculas elementares possuem forma constante, e que as moléculas formadas por aglomerações maiores de átomos têm formas variadas.

 

Tanto a teoria quântica quanto os experimentos realizados com moléculas diferentes e de tamanhos diversos, confirmam a existência de diversas conformações (formas espaciais) para moléculas formadas por muitos átomos, enquanto que pequenas moléculas tendem a possuir poucas configurações de equilíbrio.

 

Os Espíritos também disseram que o que chamamos de molécula ainda está longe da molécula elementar, o que é confirmado pela Física de Partículas.

 

Por essa razão, a resposta dada pelos Espíritos às questões 34 e 34-a estão corretas e de acordo com o conhecimento científico atual.

 

O leitor que tiver interesse em outras análises sobre as relações entre conceitos da Física, da Ciência e o Espiritismo, pode encontrá-las no conjunto de aulas sobre “Ciência e Espiritismo” [6] publicadas nos boletins do GEAE entre os números 483 e 500.

 

Cabe aqui um comentário final. Não é à toa que alguns companheiros acreditaram que a resposta à questão 34 do LE estava errada.

Se nos dias de hoje é difícil explicar numa linguagem acessível os conceitos sobre a estrutura da matéria decorrentes da teoria quântica,

somos forçados a reconhecer (e admirar) a sabedoria dos Espíritos com a resposta dada à questão 34, pois, com bastante simplicidade ela adianta em mais de 50 anos o que somente poderia ser compreendido após o desenvolvimento da teoria quântica.

 

Artigo publicado em Reformador 2157, Dezembro 2008, pp. 14–16.

Referencias

[1] A. Kardec, Livro dos Espíritos, Editora FEB, 1ª Edição Comemorativa do Sesquicentenário, Rio de Janeiro (2006).

[2] S. S. Chibeni, Reformador, Junho, p.176 (1994).

[3] A. Kardec, A Gênese, Editora FEB, 36ª Edição, Rio de Janeiro (1995).

[4] http://en.wikipedia.org/wiki/Scanning_tunneling_microscope

[5] http://en.wikipedia.org/wiki/Benzene

[6] A. F. da Fonseca, Curso Ciência e Espiritismo, Boletim do GEAE n. 483 – 500 (2004).

————————————————————————————————————————————–

 

Continuando o texto de O Livro dos Espíritos :

 

Espaço universal

35 O espaço universal é infinito ou limitado?

Infinito.

Supondo que fosse limitado, devíeis perguntar: o que haverá além de seus limites?

Isso confunde a razão, bem o sei, e, entretanto, a própria razão diz que não pode ser de outro modo.

Essa é a idéia do infinito em todas as coisas, e não é na vossa pequena esfera que podeis compreendê-lo.

 

Supondo-se um limite ao espaço, por mais distante que o pensamento possa concebê-lo, a razão diz que além desse limite há alguma coisa, e, assim, sucessivamente, até o infinito;

porém, se essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria espaço.

 

36 O vazio absoluto existe em alguma parte no espaço universal?

Não, nada é vazio.

O que imaginais como vazio é ocupado por uma matéria que escapa aos vossos sentidos e aos vossos instrumentos.

 

 

O próximo Post será sobre o Princípio Vital.

Anúncios

2 Respostas to “ESPÍRITO E MATÉRIA”

  1. SANDRA junho 17, 2012 às 1:47 am #

    BOA NOITE, GOSTEI MUITO DO BLOG, ESTUDAR O ESPIRITISMO E SEMPRE BOM ABRAÇO , PAZ E LUZ

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: