Escolha das provas

26 jun

 

Escolha das provas

 

O Livro dos Espíritos -2ª Parte – Cap. VIDa Vida Espírita.

 

258 Na espiritualidade, antes de começar uma nova existência corporal, o Espírito tem consciência e previsão das coisas que acontecerão durante sua vida?

Ele mesmo escolhe o gênero de provas que quer passar.

Nisso consiste seu livre-arbítrio.

 

Gálatas  1 : 15  –  16  – Quando, porém ao que me separou antes de eu nascer

e me chamou pela sua graça, aprouve, revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios,

 

Jeremias 1 : 5Antes que eu te formasse no ventre materno , eu te conheci e antes que saísses da madre , te consagrei profeta às nações..

 

Malaquias  4 : 5  –  6

5 – Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR;

6 – ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.

 

Lucas 1 : 17E irá adiante dele ( falando de João Batista ) com o espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o SENHOR um povo preparado..

 

Malaquias 3 : 1 –  Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos.

 

Mateus 11 : 10Este é de quem está escrito : Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti. (Jesus estava se referindo a João Batista )..

 

Tiago 1 : 12 – Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação;

porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

 

258 a Então não é Deus que impõe os sofrimentos da vida como castigo?

Nada acontece sem a permissão de Deus, que estabeleceu todas as leis que regem o universo.

Perguntareis, então, por que Ele fez esta lei em vez daquela.

Ao dar ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade de seus atos e de suas consequências, nada impede seu futuro;

o caminho do bem está à frente dele, assim como o do mal.

 

Mateus 16 : 27  – Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme as suas obras.

 

Salmos 62 : 12  –  e a ti, Senhor, pertence a graça, pois a cada um retribuis segundo as suas obras.

 

Romanos 14 : 12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.

 

II Coríntios 5 : 10Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.

 

Mas, se fracassa, resta-lhe uma consolação: nem tudo está acabado para ele.

Deus, em sua bondade, deixa-o livre para recomeçar, reparando o que fez de mal.

 

II Pedro 3 : 9 –  Não retarda o SENHOR a sua promessa, como alguns a julgam demorada ;

pelo contrário , ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que TODOS cheguem ao arrependimento.

 

 I Timóteo 2 : 4  –  o qual deseja que TODOS os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

 

É preciso, aliás, distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é obra do homem.

Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, foi Deus;

mas tendes a liberdade de vos expor a ele, por terdes visto aí um meio de adiantamento, e Deus o permitiu.

 

259 Se o Espírito tem a escolha do gênero de prova que deve passar, todas as dificuldades que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós?

Todas não é a palavra, porque não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo que vos acontece neste mundo, até nas menores coisas.

 

Vós escolhestes os gêneros das provas;

os detalhes são consequência da situação em que viveis e, frequentemente, de vossas próprias ações.

 

II Coríntios 5 : 10 –  Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo,

para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.

 

Se o Espírito quis nascer entre criminosos, por exemplo, sabia dos riscos a que se exporia, mas não tinha conhecimento dos atos que viria a praticar;

esses atos são efeito de sua vontade ou de seu livre-arbítrio.

 

O Espírito sabe que, ao escolher um caminho, terá uma luta a suportar;

sabe a natureza e a diversidade das coisas que enfrentará, mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam.

 

Os detalhes dos acontecimentos nascem das circunstâncias e da força das coisas.

Somente os grandes acontecimentos que influem na vida estão previstos.

 

Se seguis um caminho cheio de sulcos profundos, sabeis que deveis tomar grandes precauções, porque tendes a probabilidade de cair, mas não sabeis em qual deles caireis;

pode ser que a queda não aconteça, se fordes prudente o bastante.

Se, ao passar na rua, uma telha cai na vossa cabeça, não acrediteis que estava escrito, como se diz vulgarmente.

 

260 Como o Espírito pode querer nascer entre pessoas de má conduta?

É preciso que seja enviado para um meio em que possa se defrontar com a prova que pediu.

 

Pois bem! É preciso que haja identidade de relações e semelhanças, que os semelhantes se atraiam:

para lutar contra o instinto do roubo, é preciso que se encontre entre pessoas que roubam.

 

260 a Se não houvesse pessoas de má conduta na Terra, o Espírito não encontraria nela o meio necessário para passar por determinadas provas?

E seria o caso de lastimar se isso acontecesse?

É o que ocorre nos mundos superiores, onde o mal não tem acesso porque há somente Espíritos bons.

Fazei que o mesmo aconteça na vossa Terra.

 

Filipenses 1 : 21 – 24 –  Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.

Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher.

 

Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.

Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.

 

261 O Espírito, nas provas que deve passar para atingir a perfeição, deve experimentar todas as tentações?

Deve passar por todas as circunstâncias que podem incitar o orgulho, a inveja, a avareza, a sensualidade, etc.?

Certamente que não, uma vez que sabeis que há Espíritos que, desde o começo, tomam um caminho que os livra de muitas provas;

mas, aquele que se deixa levar pelo mau caminho corre todos os perigos desse caminho.

 

Um Espírito, por exemplo, pode pedir a riqueza e esta ser concedida;

então, de acordo com seu caráter, poderá tornar-se avarento ou pródigo, egoísta ou generoso, ou se entregar a todos os prazeres da sensualidade;

mas isso não quer dizer que tenha que passar forçosamente por todas essas tendências.

 

Lucas 16 : 19  –  29

19  Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.

 

20  Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;

21  e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.

 

22  Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão;

morreu também o rico e foi sepultado.

 

23  No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.

 

24  Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

 

25  Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males;

agora, porém, aqui, ele está consolado;

tu, em tormentos.

 

26  E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.

 

27  Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,

28  porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.

29  Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.

 

262 Como pode o Espírito em sua origem, simples, ignorante e sem experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

Deus supre sua inexperiência ao traçar-lhe o caminho que deve seguir, como o fazeis com uma criança desde o berço.

Deixa-o, porém, livre para escolher, à medida que seu livre-arbítrio se desenvolve.

 

II Coríntios 5 : 10Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo,

para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.

 

É então que muitas vezes se extravia ao seguir o mau caminho, se não escuta os conselhos dos bons Espíritos;

é o que se pode chamara queda do homem.

 

262 a Quando o Espírito usa seu livre-arbítrio, a escolha da existência corporal depende sempre de sua vontade, ou essa existência pode ser imposta pela vontade de Deus como expiação?

Deus sabe esperar: não apressa a expiação.

No entanto, perante a Lei, um Espírito pode ter uma encarnação compulsória quando, por sua inferioridade, ou má vontade, não está apto a compreender o que lhe poderia ser mais útil e quando essa encarnação pode servir à sua purificação e adiantamento, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.

 

Hebreus 12 : 5  –  7

e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco:

Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado;

porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.

É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos);

pois que filho há que o pai não corrige?

 

263 O Espírito faz sua escolha imediatamente após a morte?

Não, muitos acreditam na eternidade das penas e, como já foi dito, pensar assim representa para eles um castigo. (Veja a questão 101).

 

(101 – Espíritos imperfeitos – último parágrafo :

 

Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal e essa impressão é, muitas vezes, mais dolorosa do que a realidade.

Sofrem, verdadeiramente, pelos males que suportaram em vida e pelos que fizeram os outros sofrer.

 

E como sofrem por longo tempo, acreditam que irão sofrer para sempre.

A Providência, para puni-los, permite que assim pensem.)

 

264 Como o Espírito escolhe as provas que quer suportar?

Ele escolhe as que podem ser para ele uma expiação, pela natureza de seus erros, e lhe permitam avançar mais rapidamente.

 

Uns podem, ao escolher, se impor uma vida de misérias e privações para tentar suportá-la com coragem;

 

outros querem se experimentar nas tentações da riqueza e do poder, muito perigosas, pelo abuso e o mau uso que delas se possa fazer e pelas paixões inferiores que desenvolvem;

 

Marcos 10 : 23 – 25

23  Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos:

Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

 

24  Os discípulos estranharam estas palavras;

mas Jesus insistiu em dizer-lhes:

Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus!

 

25  É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

outros, enfim, preferem se experimentar nas lutas que têm que sustentar em contato com o vício.

 

 

265 Se alguns Espíritos escolhem o contato com o vício como prova, há aqueles que o escolhem por simpatia e desejo de viver num meio conforme seu gosto, ou para se entregar completamente às tendência materiais?

Há, sem dúvida.

Mas só fazem essa escolha os que têm o senso moral ainda pouco desenvolvido;

a provação está em viver a escolha que fizeram e a sofrem por longo tempo.

 

Cedo ou tarde, compreenderão que a satisfação das paixões brutais traz consequências deploráveis, e o sofrimento lhes parecerá eterno.

 

Poderão permanecer nesse estado até que se tornem conscientes da falta em que incorreram, e então eles mesmos pedem a Deus para resgatá-las em provas libertadoras.

 

I Pedro 3 : 18  –  20

18  Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus;

morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,

 

19  no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão,

20  os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé,

enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,

 

I Pedro 4 : 6 – pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos,

para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.

266 Não parece natural escolher as provas menos dolorosas?

Para vós, sim; para o Espírito, não.

Quando se está liberto da matéria, a ilusão cessa e a forma de pensar é outra.

 

Atos 14 : 22 –  .. fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé;

e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus

 

O homem na Terra, sob a influência das ideias terrenas, vê nas suas provas apenas o lado doloroso.

Por isso lhe pareceria natural escolher as que, em seu ponto de vista, pudessem se conciliar com os prazeres materiais.

 

Porém, na vida espiritual, compara esses prazeres ilusórios e grosseiros com a felicidade inalterável que percebe, e, então, nenhuma importância dá aos sofrimentos passageiros da Terra.

 

Romanos 8 : 18 –  Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

 

II Coríntios 4 : 17  – 18

17 – Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,

 

18não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem;

porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

O Espírito pode, em vista disso, escolher a prova mais rude e, consequentemente, a mais angustiosa existência, na esperança de atingir mais depressa um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar mais depressa.

 

Aquele que deseja ver seu nome ligado à descoberta de um país desconhecido não escolhe um caminho florido;

sabe dos perigos que corre, mas também sabe da glória que o espera se for bem-sucedido.

 

 A doutrina da liberdade na escolha de nossas existências e das provas que devemos suportar deixa de causar espanto ou surpresa, se considerarmos que os Espíritos livres da matéria apreciam as coisas de maneira diferente da nossa.

 

Percebem que há um objetivo, bem mais sério do que os prazeres ilusórios do mundo e, após cada existência, veem o passo que deram e compreendem o que ainda lhes falta de pureza para atingi-lo.

 

Hebreus 12 : 10 11

10 –  Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia;

Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.

 

11Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza;

ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.

 

Eis por que se submetem voluntariamente a todas as alternâncias e às dificuldades da vida corporal, pedindo, eles mesmos, aquelas que lhes permitam alcançar mais prontamente o objetivo a que almejam.

Não há, portanto, motivo de estranheza no fato de o Espírito não escolher uma existência mais suave.

 

No estado de imperfeição em que se acha, o Espírito não pode querer uma existência feliz, sem amargura;

ele a pressente e antevê, e é para atingi-la que procura melhorar-se.

 

Não temos, aliás, todos os dias, perante os olhos, exemplos de experiências parecidas?

O que faz o homem que trabalha uma parte de sua vida, sem trégua nem descanso, para reunir posses que lhe garantam o bem-estar, senão uma tarefa que se impôs tendo em vista um futuro melhor?

 

O militar que se arrisca numa missão perigosa, o viajante que enfrenta os maiores perigos no interesse da ciência ou de sua fortuna;

o que isso representa, senão provas voluntárias que lhes devem proporcionar honra e proveito, se forem bem-sucedidos?

A que não se submete e não se expõe o homem por seu interesse ou glória?

 

Os concursos não são também provas voluntárias às quais se submete, para se elevar na carreira que escolheu?

Não se chega a uma posição importante, qualquer que seja, nas ciências, nas artes, na indústria, senão passando por posições inferiores que são também provas.

 

A vida humana é uma cópia da vida espiritual, na qual encontramos, em escala pequena, todas as mesmas peripécias.

 

Se, na vida terrestre, escolhemos frequentemente as provas mais rudes, visando a um objetivo mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe e para quem a vida terrestre é apenas um incidente passageiro, não escolheria uma existência laboriosa e de renúncia, sabendo que ela deve conduzi-lo a uma felicidade eterna?

 

II Coríntios 5 : 1 2

1 – Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.

 

2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial;

 

Tabernáculo : residência, habitação ;

neste caso, está se referindo ao corpo.

 

Aqueles que dizem que, se o homem tem o direito de escolha de sua existência, pediriam para ser príncipes ou milionários são como míopes, que veem apenas o que tocam, ou como crianças gulosas, às quais, quando se pergunta que profissão pretendem, respondem: pasteleiros ou confeiteiros.

 

Como um viajante que, no fundo do vale embaçado pelo nevoeiro, não vê a distância, nem os pontos extremos de seu caminho;

mas, uma vez chegado ao cume da montanha, divisa o caminho que percorreu e o que lhe resta percorrer;

vê seu objetivo, os obstáculos que ainda tem a transpor e pode, então, planejar com mais segurança os meios para atingi-lo.

 

O Espírito encarnado é semelhante ao viajante no fundo do vale.

Liberto dos laços terrestres, sua visão tem o completo domínio da sua destinação, como aquele que está no cume da montanha.

 

Para o viajante, o objetivo é o repouso após o cansaço;

para o Espírito, é a felicidade suprema após as dificuldades e as provas.

 

Tiago 1 : 2  – 4

2 – Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,

3sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.

4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.

 

Todos os Espíritos dizem que, na espiritualidade, pesquisam, estudam e observam para fazer sua escolha.

 

Não temos um exemplo desse fato na vida corporal?

Não procuramos frequentemente, durante anos, a carreira em que fixamos livremente nossa escolha, por acreditarmos ser a mais apropriada para fazermos nosso caminho?

Se fracassamos numa, escolhemos outra.

 

Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida.

Cada dia não é empregado para planejar o que faremos no dia seguinte?

 

Portanto, o que são as diferentes existências corporais para o Espírito senão etapas, períodos, dias de sua vida espírita, que é, como sabemos, sua vida normal, uma vez que a corpórea é apenas transitória e passageira?

 

267 O Espírito pode escolher suas provas, quando já encarnado?

Seu desejo pode ter influência, dependendo da intenção com que as deseja;

mas, como Espírito, vê frequentemente as coisas muito diferentes.

 

É apenas o Espírito que faz a escolha; mas, afirmamos mais uma vez, é possível.

Ele pode fazê-la na vida material, porque para o Espírito há sempre momentos em que fica independente da matéria que habita.

 

267 a Muitas pessoas desejam poder e riqueza; não é, certamente, como expiação ou como prova?

Sem dúvida, é o instinto material que as deseja para delas desfrutar;

já o Espírito as deseja para conhecer todas as alternativas que elas oferecem.

 

268 Até que atinja o estado de pureza perfeita, o Espírito tem que passar constantemente por provas?

Sim, mas não são como as entendeis, visto que chamais de provas às adversidades materiais.

 

Porém, o Espírito que atingiu um certo grau, sem ser ainda perfeito, nada mais tem a suportar;

embora sempre tenha deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que nada têm para ele de constrangedor ou angustiante, ainda que seja para ajudar os outros a se aperfeiçoar.

 

I Pedro 5 : 10 – depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.

 

269 O Espírito pode se enganar sobre a eficácia da prova que escolheu?

Ele pode escolher uma que esteja acima de suas forças e, então, fracassar.

Pode também escolher alguma que não lhe dê nenhum proveito, que resulte numa vida ociosa e inútil;

mas, então, uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, percebe que nada ganhou e pede para reparar o tempo perdido, numa outra encarnação.

 

270 A que se devem as vocações de certas pessoas e seu desejo de seguir uma carreira em vez de outra?

Parece-me que vós mesmos podeis responder a essa questão.

Não é a consequência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas e o progresso realizado nas existências anteriores?

 

271 Ainda na espiritualidade, o Espírito, ao estudar as diversas condições em que poderá progredir, como pensa poder fazê-lo ao nascer, por exemplo, entre os povos canibais?

Espíritos já avançados não nascem entre canibais.

Entre eles nascem Espíritos com a natureza dos canibais, ou que lhe são até inferiores.

 

Sabemos que os antropófagos não estão no último grau da escala evolutiva e que há mundos onde o embrutecimento e a ferocidade ultrapassam em tudo o que conhecemos na Terra.

 

Esses Espíritos que lá habitam são ainda inferiores aos mais inferiores de nosso mundo, e nascer entre os nossos selvagens é para eles um progresso, como seria um progresso para os antropófagos do nosso globo exercer entre nós uma profissão que os obrigasse a derramar sangue 4.

 

4 Que os obrigasse a derramar sangue (qui les obligerant à verser le sang):

Pode causar estranheza, à primeira vista, a afirmativa de Allan Kardec, a ponto de se pensar que o razoável seria pela negativa, isto é, que os obrigasse a não derramar sangue, o que faria supor que assim haveria um grande progresso do Espírito, de matador e carnívoro reencarnaria longe dessas características num grande salto evolutivo.

 

A Doutrina Espírita não ensina isso; a afirmativa de Allan Kardec está de acordo com os ensinamentos básicos dos Espíritos do Senhor.

Muitos antropófagos, se tiverem mérito para tanto, podem reencarnar em meio à sociedade desempenhando funções compatíveis com o progresso coletivo.

Respeita-se dessa forma a sua essência de Espíritos em ascensão, sem que para isso seja necessário que andem de tacape ou faca em punho “fazendo esguichar sangue” como pode dar a entender a frase ao pé da letra.

 

Está aí o progresso do Espírito. Reencarna em meio à civilização numa profissão útil que representa para ele um grande degrau de progresso: da barbárie antropófaga para a civilização (N. E.).

 

Se não alcançam o mais alto é porque sua inferioridade moral não lhes permite compreender um progresso mais completo.

 

O Espírito não pode avançar senão gradualmente;

não pode transpor de um salto a distância que separa a barbárie da civilização, e é aí que vemos uma das necessidades da reencarnação, que está verdadeiramente de acordo com a justiça de Deus.

 

De outro modo, em que se tornariam esses milhões de seres que morrem a cada dia no último estado de degradação, se não possuíssem os meios de atingir a superioridade?

Por que Deus os deserdaria dos favores concedidos aos outros homens?

 

II Pedro 3 : 9Não retarda o SENHOR a sua promessa, como alguns a julgam demorada ;

pelo contrário , ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que TODOS cheguem ao arrependimento.

 

I Timóteo 2 : 4o qual deseja que TODOS os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

 

272 Espíritos vindos de um mundo inferior à Terra ou de um povo muito atrasado, como os canibais, por exemplo, poderiam nascer entre os povos civilizados?

Sim, há os que se desencaminham ao querer subir muito alto.

Ficam desajustados entre vós, porque possuem costumes e instintos que não se afinam com os vossos.

 

Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade em meio à civilização.

Ao retornar renascendo entre os canibais, não sofrem uma queda, uma degradação, apenas voltam aos seus lugares e com isso talvez até ganhem.

 

273 Um homem que pertence a uma raça civilizada poderia, por expiação, reencarnar em uma raça selvagem?

Sim, mas isso depende do gênero da expiação.

Um senhor que tenha sido cruel com seus escravos poderá tornar-se escravo por sua vez e sofrer os maus-tratos que fez os outros suportar.

 

Aquele que um dia comandou poderá, em uma nova existência, obedecer até mesmo àqueles que se curvaram à sua vontade.

É uma expiação que lhe pode ser imposta, se abusou de seu poder.

 

Um bom Espírito também pode escolher uma existência em que exerça uma ação influente e encarnar dentre povos atrasados, para fazer com que progridam, o que, neste caso, é para ele uma missão.

 

Observação : Na 1ª Categoria há um Post sobre A Justiça das Aflições, editado em 28/10/2011.

Vale à pena  ler.

 

O próximo Post será um complemento deste assunto, com instruções dos Espíritos sobre a Justiça das Aflições.

 

Hebreus 1 : 14 – Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: