2ª Parte – Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras.

14 jul

 

Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras

 

O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo VBem- aventurados os Aflitos 2ª Parte

 

21. Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os mais moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte e tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos cheios de decepções;

pois leva os que são úteis e deixa os que para nada mais servem;

pois despedaça o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria.

 

Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdência onde pensais divisar a cega fatalidade do destino.

 

Por que haveis de avaliar a justiça divina pela vossa?

Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis?

 

Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de ser.

 

Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.

 

Hebreus 12 : 1011

10 –  Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia;

Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.

 

11Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza;

ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.

 

Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses vergonhosos desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram corações de mães e fazem que antes do tempo embranqueçam os cabelos dos pais.

 

Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda.

 

Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos;

é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra.

 

É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe de esperanças!

De que esperanças falais?

Das da Terra, onde o liberto houvera podido brilhar, abrir caminho e enriquecer?

Sempre essa visão estreita, incapaz de elevar-se acima da matéria.

 

Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso parecer tão cheia de esperanças?

Quem vos diz que ela não seria saturada de amarguras?

 

Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra?

Supondes então que mais vale uma posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-aventurados?

 

Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste vale de misérias um de seus filhos.

Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer convosco?

 

II Coríntios 5 : 1 2

1 – Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.

2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial

 

Ah! essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte uma separação eterna.

Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo.

 

Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto;

seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a vontade de Deus.

 

Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas;

sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano Senhor prometeu. – Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)

 

II Coríntios 4 : 17 18

17 – Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,

18não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

 

 

Se fosse um homem de bem, teria morrido

 

22. Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: “Se fosse um homem bom, teria morrido.”

Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que, por prêmio do seu mérito, receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação.

 

Por conseguinte, quando vos utilizais daquele axioma, não suspeitais de que proferis uma blasfêmia.

Se morre um homem de bem, cujo vizinho é mau homem, logo observais: “Antes fosse este.”Cometeis, então, um grande erro, porquanto aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua.

 

Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre?

Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito?

 

Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro.

 

Eclesiastes 12 : 6 – 7

antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço,

e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.

 

Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas.

Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem.

 

Salmos 119  :  75 –  Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que com fidelidade me afligiste.

 

Tão limitadas, no entanto, são as vossas faculdades, que o conjunto do grande todo não o apreendem os vossos sentidos obtusos.

 

Esforçai-vos por sair, pelo pensamento, da vossa acanhada esfera e, à medida que vos elevardes, diminuirá para vós a importância da vida material que, nesse caso, se vos apresentará como simples incidente, no curso infinito da vossa existência espiritual, única existência verdadeira. Fénelon. (Sens, 1861.)

 

Tiago  1 : 12 – Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação;

porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

 

 

Os tormentos voluntários

 

23. Vive o homem incessantemente em busca da felicidade, que também incessantemente lhe foge, porque felicidade sem mescla não se encontra na Terra.

 

Entretanto, mau grado às vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, isto é, nos gozos materiais em vez de a procurar nos gozos da alma, que são uma antecipação dos gozos celestes, imperecíveis;

 

em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo,

ele se mostra ávido de tudo o que o agitará e perturbará, e, coisa curiosa, o homem, como que de propósito, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar.

 

Haverá maiores tormentos do que os que derivam da inveja e do ciúme?

Para o invejoso e o ciumento, não há repouso;

sofrem ambos de uma febre incessante.

O que não têm, e os outros possuem, lhes causa insônias.

 

Provérbios 14 : 30 – O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos.

 

Dão-lhes vertigem os êxitos de seus rivais;

toda a emulação, para eles, se resume em eclipsar os que lhes estão próximos, toda a alegria em excitar, nos que se lhes assemelham pela insensatez, a raiva do ciúme que os devora.

 

Pobres insensatos, com efeito, que não imaginam sequer que, amanhã talvez, terão de largar todas essas futilidades cuja cobiça lhes envenena a vida!

 

Não é a eles, decerto, que se aplicam estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados”, visto que as suas preocupações não são aquelas que têm no céu as compensações merecidas.

 

Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é.

 

Eclesiastes 5 : 12 – Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito;

mas a fartura do rico não o deixa dormir.

 

Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si e não para, cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele. E calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas.

E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida? Fénelon. (Lião, 1860.

 

Observação : Recomendo a leitura do livro Divaldo Franco Responde  – Editora InteLítera:

 – Mortes Coletivas : páginas  91 – 105

Mortes Prematuras : páginas 107 – 132

 

O próximo Post será : A desgraça real ; A melancolia ; Provas voluntárias :  O verdadeiro cilício.

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