3ª Parte – A melancolia; Provas voluntárias.

20 jul

3ª Parte – A melancolia; Provas voluntárias.

 

O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo VBem-aventurados os Aflitos3ª Parte.

 

A desgraça real

 

24. Toda a gente fala da desgraça, toda a gente já a sentiu e julga conhecer-lhe o caráter múltiplo. Venho eu dizer-vos que quase toda a gente se engana e que a desgraça real não é, absolutamente, o que os homens, isto é, os desgraçados, o supõem.

Eles a veem na miséria, no fogão sem lume, no credor que ameaça, no berço de que o anjo sorridente desapareceu, nas lágrimas, no féretro que se acompanha de cabeça descoberta e com o coração despedaçado, na angústia da traição, na privação do orgulhoso que desejara envolver-se em púrpura e mal oculta a sua nudez sob os andrajos da vaidade.

A tudo isso e a muitas coisas mais se dá o nome de desgraça, na linguagem humana. Sim, é desgraça para os que só veem o presente;

a verdadeira desgraça, porém, está nas consequências de um fato, mais do que no próprio fato.

 

Dizei-me se um acontecimento, considerado ditoso na ocasião, mas que acarreta consequências funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa viva contrariedade e acaba produzindo o bem.

Dizei-me se a tempestade que vos arranca as árvores, mas que saneia o ar, dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade.

Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as consequências.

Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as consequências se fazem sentir.

 

Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura.

 

II Coríntios 4 : 17 – 18

17 – Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,

18não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem;

porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

 

Vou revelar-vos a infelicidade sob uma nova forma, sob a forma bela e florida que acolheis e desejais com todas as forças de vossas almas iludidas.

A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro.

A infelicidade é o ópio do esquecimento que ardentemente procurais conseguir.

 

Tende esperanças, vós que chorais!

Tremei, vós que rides, pois que o vosso corpo está satisfeito!

 

A Deus não se engana;

não se foge ao destino;

e as provações, credoras mais impiedosas do que a matilha que a miséria desencadeia, vos espreitam o repouso ilusório para vos imergir de súbito na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma amolentada pela indiferença e pelo egoísmo.

 

Gálatas 6 : 7 – Não vos enganeis: de Deus não se zomba;

pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

 

Que, pois, o Espiritismo vos esclareça e recoloque, para vós, sob verdadeiros prismas, a verdade e o erro, tão singularmente deformados pela vossa cegueira!

 

Agireis então como bravos soldados que, longe de fugirem ao perigo, preferem as lutas dos combates arriscados à paz que lhes não pode dar glória, nem promoção!

Que importa ao soldado perder na refrega armas, bagagens e uniforme, desde que saia vencedor e com glória?

Que importa ao que tem fé no futuro deixar no campo de batalha da vida a riqueza e o manto de carne, contanto que sua alma entre gloriosa no reino celeste? Delfina de Girardin.(Paris, 1861.)

 

II Coríntios 5 : 1 – 2

1 – Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.

2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial;

 

A melancolia

 

25. Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida?

É que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele.

 

Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes.

 

Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade.

 

Filipenses 4 : 4 – 8

 

4  Alegrai-vos sempre no Senhor;

outra vez digo: alegrai-vos.

 

5  Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens.

Perto está o Senhor.

 

6  Não andeis ansiosos de coisa alguma;

em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

 

7  E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

 

8  Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.

 

São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor;

mas, não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantêm cativo o Espírito.

Hebreus 1 : 13 – 14

 

13  Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés?

 

14  Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?

 

Hebreus 2 : 1 – 1  Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.

 

 

Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou.

 

Se, no curso dessa prova, no cumprimento de vossa tarefa, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar.

 

Romanos 8 : 28 – Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

 

Enfrentai, decisivamente, pois, duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra. François de Genève. (Bordéus.)

 

Lucas 20 : 38 – Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos;

porque para ele todos vivem.

 

Provas voluntárias. O verdadeiro cilício

 

26. Perguntais se é licito ao homem abrandar suas próprias provas.

Essa questão equivale a esta outra:

É lícito, àquele que se afoga, cuidar de salvar-se?

Aquele em quem um espinho entrou, retirá-lo?

Ao que está doente, chamar o médico?

As provas têm por fim exercitar a inteligência, tanto quanto a paciência e a resignação.

 

Tiago 1 : 2 – 4

2 – Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,

3sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.

4Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.

 

Tiago  1 : 12 – Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação;

porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

 

Pode dar-se que um homem nasça em posição penosa e difícil, precisamente para se ver obrigado a procurar meios de vencer as dificuldades.

 

O mérito consiste em sofrer, sem murmurar, as consequências dos males que lhe não seja possível evitar, em perseverar na luta, em não se desesperar, se não é bem-sucedido;

nunca, porém, numa negligência que seria mais preguiça do que virtude.

 

Essa questão dá lugar naturalmente a outra.

Pois, se Jesus disse: “Bem-aventurados os aflitos”, haverá mérito em procurar, alguém, aflições que lhe agravem as provas, por meio de sofrimentos voluntários?

A isso responderei muito positivamente:

sim, há grande mérito quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício;

 

João 15 : 13 – Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.

 

não, quando os sofrimentos e as privações somente objetivam o bem daquele que a si mesmo as inflige, porque aí só há egoísmo por fanatismo.

 

Grande distinção cumpre aqui se faça: pelo que vos respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos manda e não lhes aumenteis o volume, já de si por vezes tão pesado;

aceitá-las sem queixumes e com fé, eis tudo o que de vós exige ele.

 

Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem objetivo, pois que necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa missão de trabalhar na Terra.

 

Torturar e martirizar voluntariamente o vosso corpo é infringir a lei de Deus, que vos dá meios de o sustentar e fortalecer.

 

Enfraquecê-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio.

 

Usai, mas não abuseis, tal a lei.

O abuso das melhores coisas tem a sua punição nas inevitáveis consequências que acarreta.

 

Muito diverso é o que ocorre, quando o homem impõe a si próprio sofrimentos para o alívio do seu próximo.

 

Se suportardes o frio e a fome para aquecer e alimentar alguém que precise ser aquecido e alimentado e se o vosso corpo disso se ressente, fazeis um sacrifício que Deus abençoa.

 

Vós que deixais os vossos aposentos perfumados para irdes aos casebres infectos levar a consolação;

 

vós que sujais as mãos delicadas curando feridas ;

 

vós que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente que apenas é vosso irmão em Deus;

 

vós, enfim, que despendeis a vossa saúde na prática das boas obras, tendes em tudo isso o vosso cilício, verdadeiro e abençoado cilício, visto que os gozos do mundo não vos secaram o coração, que não adormecestes no seio das volúpias enervantes da riqueza, antes vos constituístes anjos consoladores dos pobres deserdados.

 

Cilício : Tortura, tormento, aflição ; instrumento de penitência, de mortificação.

 

Vós, porém, que vos retirais do mundo, para lhe evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes na Terra?

 

Onde a vossa coragem nas provações, uma vez que fugis à luta e desertais do combate?

 

Se quereis um cilício, aplicai-o às vossas almas e não aos vossos corpos;

 

mortificai o vosso Espírito e não a vossa carne;

 

fustigai o vosso orgulho, recebei sem murmurar as humilhações;

 

machucai o vosso amor-próprio;

 

insensibilizai-vos contra a dor da injúria e da calúnia, mais pungente do que a dor física.

 

Aí tendes o verdadeiro cilício cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão a vossa coragem e a vossa submissão à vontade de Deus. Um anjo guardião. (Paris, 1863.)

 

II Coríntios 4 : 17 – 18

17 – Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,

 

18não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem;

porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

 

 

O próximo Post será : Dever-se-á pôr termo às provas do próximo ?

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