Almas Gêmeas e Metades Eternas

15 jan

Almas Gêmeas e Metades Eternas

 

Ao estudar, para escrever este texto, vi que Almas gêmeas e metades eternas não significam a mesma coisa.

Aliás, nenhuma das duas são, realmente  verdadeiras, pois, o Espírito é indivisível.

 

O que acontece é a afinidade das Almas.

Então, Almas Gêmeas é a que mais traduz esta afinidade entre as Almas.

 

No texto abaixo, veremos o que a Doutrina Espírita nos diz sobre o assunto.

 

A afinidade é uma faixa de união em que nos integramos uns com os outros.

– Dicionário da Alma. Autores Diversos ( organização de Esmeralda Campos Bittencourt,5, ed. RJ, FEB, 2004.

 

No livro Os caminhos do amor  ( 3 ed.. RJ, FEB,2005), Dalva Silva Souza , nos faz uma boa explanação sobre o assunto.

 

“Ao analisar a afirmativa de Emmanuel (em O Consolador) de que com a expressão almas gêmeas não pretende dizer metades eternas,

precisamos partir da percepção de que as duas expressões são, na realidade, metáforas que representam a ligação entre homem e mulher pelo amor.

 

Não se pode deixar de perceber a diferença acentuada entre uma e outra.

O numeral metade sugere algo incompleto, que só se torna um inteiro se reunido à outra parte igual.

 

Então, a teoria das metades eternas, realmente não dá conta de explicar a questão da aproximação das almas e de sua união pelo amor, razão por que os Espíritos a rejeitaram e o Codificador apenas a admite como uma figura que pode simbolizar a afinidade entre dois Espíritos :

são tão afins, que parece que um completa o outro, formando uma só individualidade.

 

Mas não se pode ir além disso e pretender que Deus tenha criado os seres pela metade.

 

Já o adjetivo gêmea traduz semelhança, identidade e simboliza mais apropriadamente a ideia da união de dois seres pela simpatia e pela afinidade.

 

Os dois seres são individualidades completas, mas se assemelham e, por isso se identificam e se sentem atraídos um para o outro

– essa é a ideia que se  depreende da tese de Emmanuel e não há nela nenhuma contradição com a ideia expressa pelos Espíritos reveladores.

 

Ao contrário, essa ideia está implícita no texto da resposta à questão 301 de O Livro dos Espíritos, em que os Espíritos se expressam :

“A simpatia que atrai um Espírito para o outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos”.

 

Precisamos lembrar aqui que, além dessa simpatia pela identidade  de nível evolutivo, há afeições particulares entre os Espíritos como está explícito na questão 291 de O Livro dos Espíritos.

O afeto mencionado na tese das almas gêmeas é um sentimento desse tipo.”

 

Observação : Este trecho foi extraído do livro O Espiritismo de A a Z ( coordenação de Geraldo Campetti Sobrinho – FEB)

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291 Além da simpatia geral de afinidade, os Espíritos têm entre si afeições particulares?

Sim, como entre os homens.

Mas o laço que une os Espíritos é mais forte quando estão livres do corpo, por não estarem mais expostos às alterações e volubilidades das paixões.

 

O Livro dos EspíritosParte 2ª – Cap. VIVida Espírita.

 

Relações de simpatia e de antipatia entre os Espíritos.

 

Metades eternas.

 

297 A afeição que dois seres tiveram na Terra sempre continuará no mundo dos Espíritos?

Sim, sem dúvida, se é fundada sobre uma simpatia verdadeira.

Mas se as causas físicas foram maiores que a simpatia, ela cessa com a causa.

As afeições entre os Espíritos são mais sólidas e mais duráveis do que as da Terra, porque não estão sujeitas aos caprichos dos interesses materiais e do amor-próprio.

 

Provérbios 18 : 24 O homem que tem muitos amigos sai perdendo;

mas há amigo mais chegado do que um irmão.

 

298 As almas que devem unir-se estão predestinadas a essa união desde a origem e cada um de nós tem, em alguma parte do universo, sua metade à qual um dia fatalmente se unirá?

Não. Não existe união particular e fatal entre duas almas.

 

A união existe entre todos os Espíritos, mas em diferentes graus, de acordo com a categoria que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram:

quanto mais perfeitos, mais unidos.

 

Da discórdia nascem todos os males humanos;

da concórdia resulta a felicidade completa.

 

299 Em que sentido devemos entender a palavra metade, de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?

A expressão é inexata.

Se um Espírito fosse a metade de um outro, uma vez separados, ambos estariam incompletos.

 

300 Dois Espíritos perfeitamente simpáticos, uma vez reunidos, o serão pela eternidade, ou podem se separar e se unir a outros?

Todos os Espíritos são unidos entre si.

Falo daqueles que atingiram a perfeição.

 

Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem mais a mesma simpatia por aqueles que deixou para trás.

 

301 Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia é o resultado de uma identidade perfeita?

A simpatia que atrai um Espírito ao outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos;

se um tivesse que completar o outro, perderia sua individualidade.

 

Gálatas  5 : 22  –  23

22  Mas o fruto do Espírito é :

 

amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,

23  mansidão, domínio próprio.

 

Contra estas coisas não há lei.

 

302 A identidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança de pensamentos e sentimentos, ou ainda na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?

Na igualdade dos graus de elevação.

 

Nota de A. Kardec :

A teoria das metades eternas é apenas uma figura que representa a união de dois Espíritos simpáticos.

É uma expressão usada até mesmo na linguagem comum e não deve ser tomada ao pé da letra.

 

Os Espíritos que dela se serviram certamente não pertencem a uma ordem elevada.

A esfera de suas ideias é limitada e expressa seus pensamentos pelos termos de que se serviam durante a vida corporal.

 

É preciso rejeitar essa ideia de dois Espíritos criados um para o outro, e que deverão, portanto, um dia, fatalmente, se reunir na eternidade, após estarem separados durante um espaço de tempo mais ou menos longo.

 

O Livro dos EspíritosParte Segunda – Capítulo 7Retorno à vida corporal.

 

Simpatias e antipatias terrenas

 

386 Dois seres que se conhecem e se amam podem se encontrar em outra existência corporal e se reconhecer?

Reconhecer-se, não;

mas podem sentir-se atraídos um pelo outro.

 

Frequentemente, as ligações íntimas fundadas numa afeição sincera não têm outra causa.

Dois seres aproximam-se um do outro por consequências casuais em aparência, mas que são de fato a atração de dois Espíritos que se procuram na multidão.

 

386 a Não seria mais agradável para eles se reconhecerem?

Nem sempre;

a lembrança das existências passadas teria inconvenientes maiores do que podeis imaginar.

Após a morte, se reconhecerão, saberão o tempo que passaram juntos. (Veja, nesta obra, a questão 392.)

 

387 A simpatia vem sempre de um conhecimento anterior?

Não. Dois Espíritos que se compreendem procuram-se naturalmente, sem que necessariamente se tenham conhecido em encarnações passadas.

 

388 Os encontros que ocorrem, algumas vezes, e que se atribuem ao acaso não serão o efeito de uma certa relação de simpatia?

Há entre os seres pensantes laços que ainda não conheceis.

O magnetismo é que dirige essa ciência, que compreendereis melhor mais tarde.

 

O Evangelho segundo o EspiritismoCAPÍTULO IVNinguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo

 

3. (Após a transfiguração.) Seus discípulos então o interrogam desta forma: “Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?”

Jesus lhes respondeu: “É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas:

mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve.

É assim que farão sofrer o Filho do Homem.”

Então, seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. (Mateus, cap. XVII, 10 a 13; – Marcos, cap. IX,  11 a 13.)

 

A reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a unicidade da existência os rompe

 

18. Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas.

Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados.

O princípio oposto, sim, os destrói.

 

No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações.

Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros.

 

A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem.

 

Muitas vezes, até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento.

Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento.

 

Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro.

Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam.

Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento.

 

I Pedro 5 : 10 – Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória,

depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.

 

Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição recíproca, pela razão mesma de que, mais depurada, não tem a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões.

 

Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.

 

I Coríntios 13  : 1  –  7

 

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,

se não tiver amor,

serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

 

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência;

ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes,

se não tiver amor, nada serei.

 

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado,

se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

 

4  O AMOR é paciente, é benigno;

o amor não arde em ciúmes,

não se ufana,

não se ensoberbece,

 

não se conduz inconvenientemente,

não procura os seus interesses,

não se exaspera,

não se ressente do mal;

 

não se alegra com a injustiça,

mas regozija-se com a verdade;

 

tudo sofre,

tudo crê,

tudo espera,

tudo suporta.

 

Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma a alma, única que sobrevive à destruição do corpo,

porquanto os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos.

 

Duráveis somente o são as afeições espirituais;

as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem.

 

Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre.

 

No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras:

a morte as separa na Terra e no céu.

 

I Timóteo 6  : 9  –  11

Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição.

 

10  Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males;

e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.

 

11  Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas;

 

antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.

 

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