OBSESSÃO II – Obsessão simples – Fascinação – Subjugação.

12 maio

OBSESSÃO II – Obsessão simples – Fascinação – Subjugação.

 

No Post anterior, foi mostrada a influência que os Espíritos têm sobre nós, podendo mesmo, até dirigir nossos pensamentos e ações.

I Pedro 5 : 8 – 9

8  Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;

9  resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.

 

Jesus nos disse para vigiarmos e orarmos, para não cairmos em tentações.

Mateus 26 : 41 – Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

 

Então, a obsessão pode se instalar em nós, devido à nossa invigilância.

 

Na Revista Cristã de Espiritismo – Ano XIII, ed. 114, a Dra. Irvênia Prada, escreve um ótimo artigo sobre os Mecanismos da Obsessão.

 

Ela diz :

“Emmanuel disse que “A obsessão é o pior flagelo deste século”. De fato, as conquistas da tecnologia atual são tantas, que o apelo material à mente humana é também muito forte.”

 

” Somos estimulados a obter valores materiais e a concorrer com as pessoas, para que cada vez mais tenhamos “coisas” e galguemos condições sociais que nos confiram prestígio e poder.”

 

“Assim, muitas vezes acabamos por deixar em segundo plano, ou mesmo totalmente de lado, a questão da fraternidade, da caridade, do convívio amistoso, sobrevindo então, as oportunidades de instalação do processo obsessivo.”

 

“Na análise do mecanismo intrínseco do processo obsessivo, não podemos esquecer o pré-requisito de dois fatores muito importantes : afinidade e sintonia ou paridade de frequência, conforme esclarece André Luiz em Mecanismos da Mediunidade.”

 

O pensamento e o sentimento são formas de energia. Na mente humana, essas duas forças estão atuando tanto em nível consciente quanto inconsciente, sendo a intenção o gatilho que aciona a transmissão dessas energias para o alvo que se deseja (consciente ou inconscientemente).”

 

“Assim, uma ideia emitida por uma entidade obsessiva termina por fixar-se na mente de outra entidade, encarnada ou desencarnada, se houver afinidade (de pensamentos) entre elas. Dizemos , então, que se estabelece um “circuito mental” (ou mediúnico) entre as duas mentes.”

 

Afinidade significa identidade de características. Assim também, um pensamento (e sentimento, como o ódio, por exemplo), emitidos por uma entidade, apenas conseguirá reproduzir-se em outra mente que lhe tenha afinidade, isto é, que tenha em seu conteúdo pensamentos e sentimentos com a mesma característica.”

 

“Havendo afinidade, irá se estabelecer o circuito mental ou mediúnico; as duas mentes ficarão se alimentando reciprocamente dessa ideia, em identidade de sintonia (sin = concordância; tono = intensidade de ação).”

 

“Afinidade e sintonia não são, portanto, termos sinônimos. Afinidade é uma premissa necessária para que se estabeleça a sintonia.”

 

“O circuito mental é assim denominado porque a nossa mente é, ao mesmo tempo, uma estação emissora e receptora de pensamentos e ideias. Estamos, mesmo sem querer e inconscientemente, em sintonia com as outras mentes encarnadas e desencarnadas com as quais temos afinidade.”

 

“Se temos bons pensamentos e sentimentos, temos condições de sermos inspirados pelos espíritos superiores, que nos orientam e nos ajudam.

Se estamos retidos em pensamentos negativos, abrimos brecha para a ação de espíritos perversos, vingativos, etc…,oferecendo oportunidade para a instalação do processo obsessivo.”

 

“Portanto, o mecanismo intrínseco de estabelecimento do circuito mental ou mediúnico é o mesmo, tanto para as vibrações amorosas, quanto para as encontradas na vigência do processo obsessivo.”

 

Em O Livro dos Espíritos, questão 469 – Como se pode neutralizar a influência dos maus Espíritos ?, a resposta é :

Fazendo o bem e colocando toda a confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores e anulais o domínio que querem ter sobre vós.

Evitai escutar as sugestões dos Espíritos que vos inspiram maus pensamentos, sopram a discórdia e excitam todas as más paixões.

 

Filipenses 4 : 8 – Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.

 

 Neste Post, irei fazer um resumo dos três tipos de obsessão:

– Obsessão simples

– Fascinação

– Subjugação

 

O Livro dos Médiuns – Cap. XXIII – Da Obsessão

 

 237. Entre os escolhos (riscos, perigos) que apresenta a prática do Espiritismo, cumpre se coloque na primeira linha a obsessão, isto é, o domínio que alguns Espíritos logram  (conseguem) adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar.

 

Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se.

 

Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança.

 

A obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz.

 

A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.

 

Obsessão simples

238. Dá-se a obsessão simples, quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados.

 

Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo, no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que, entre nós homens, os mais honestos podem ser enganados por velhacos.

 

 

Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua.

 

Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito mentiroso e este não se disfarça; de nenhuma forma dissimula suas más intenções e o seu propósito de contrariar.

 

O médium reconhece sem dificuldade a felonia (traição, deslealdade) e, como se mantém em guarda, raramente é enganado.

 

Este gênero de obsessão é, portanto, apenas desagradável e não tem outro inconveniente, além do de opor obstáculo às comunicações que se desejara receber de Espíritos sérios, ou dos afeiçoados.

 

Podem incluir-se nesta categoria os casos de obsessão física, isto é, a que consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de alguns Espíritos, que fazem se ouçam, espontaneamente, pancadas ou outros ruídos. Pelo que concerne a este fenômeno, consulte-se o capítulo Das manifestações físicas espontâneas. (N. 82.)

 

Livro : Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Programa Complementar – Tomo único.

 

“A obsessão simples apresenta, porém, alguns sinais que surgem esporadicamente, mas que se podem repetir e agravar, com o passar do tempo, se nada for feito para neutralizá-los.

 

Os sinais mais comuns são:

irritação, ciúme, inveja, ideia de perseguição, amargura, ansiedades, doenças-fantasma, vaidade, arrogância, irreverência, atitudes debochadas ou inconvenientes, etc..

 

De alguma forma a pessoa passa a adotar comportamentos mais marcantes, diferentes do usual, que surpreendem os que a conhecem melhor.”

 

Eclesiastes 7 : 9 – Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos.

Provérbios 14 : 30 – O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos.

 

Romanos 13 : 10 – 14

10  O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.

11  E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.

12  Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.

13  Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;

14  mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

 

Efésios 4 : 31 – 32

31  Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.

32  Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

 

II Timóteo 3 : 1 – 5

1  Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis,

2 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,

3  desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem,

4  traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,

5  tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.

 

Fascinação

 

239. A fascinação tem consequências muito mais graves.

E uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações.

 

O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.

 

A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso.

 

 

Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.

 

Já dissemos que muito mais graves são as consequências da fascinação.

 

Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade.

Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.

 

Compreende-se facilmente toda a diferença que existe entre a obsessão simples e a fascinação; compreende-se também que os Espíritos que produzem esses dois efeitos devem diferir de caráter.

 

Na primeira, o Espírito que se agarra à pessoa não passa de um importuno pela sua tenacidade e de quem aquela se impacienta por desembaraçar-se.

 

 Na segunda, a coisa é muito diversa. Para chegar a tais fins, preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude.

 

Os grandes termos – caridade, humildade, amor de Deus – lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber.

 

Por isso mesmo, o que o fascinador mais teme são as pessoas que veem claro.

Daí o consistir a sua tática, quase sempre, em inspirar ao seu intérprete o afastamento de quem quer que lhe possa abrir os olhos. Por esse meio, evitando toda contradição, fica certo de ter razão sempre.

 

O Livro dos Espíritos – Parte 2ª – Cap. IX – Da Intervenção dos Espíritos

 

476 Poderá acontecer que a fascinação exercida pelo mau Espírito seja tal que a pessoa subjugada não se aperceba disso? Então, uma terceira pessoa pode fazer cessar essa influência e, nesse caso, que condições ela deve ter?

 

– Se é um homem de bem, sua vontade pode ajudar ao pedir a cooperação dos bons Espíritos, porque quanto mais se é um homem de bem, mais se tem poder sobre os Espíritos imperfeitos para afastá-los e sobre os bons Espíritos para atraí-los.

 

Entretanto, resultará inútil qualquer tentativa se aquele que está subjugado não consentir nisso. Há pessoas que gostam de sentir uma dependência que satisfaça seus gostos e seus desejos.

 

Em qualquer caso, aquele cujo coração não é puro não pode fazer nada; os bons Espíritos o desprezam e os maus não o temem.

 

I João 4 : 1 – Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.

 

O Evangelho segundo o Espiritismo –  Cap. XXI – Falsos Cristos e falsos Profetas.

 

Os falsos profetas da erraticidade

 

10. Os falsos profetas não se encontram unicamente entre os encarnados.

 

Há-os também, e em muito maior número, entre os Espíritos orgulhosos que, aparentando amor e caridade, semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da Humanidade, lançando-lhe de través seus sistemas absurdos, depois de terem feito que seus médiuns os aceitem.

 

E, para melhor fascinarem aqueles a quem desejam iludir, para darem mais peso às suas teorias, se apropriam sem escrúpulo de nomes que só com muito respeito os homens pronunciam.

 

São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos, que os impelem a isolarem-se uns dos outros e a olharem-se com prevenção.

Isso por si só bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões.

Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste.

 

Mas, há muitos outros meios de serem reconhecidos. Espíritos da categoria em que eles dizem achar-se têm de ser não só muito bons, como também eminentemente racionais. Pois bem: passai-lhes os sistemas pelo crivo da razão e do bom senso e vede o que restará.

 

Convinde, pois, comigo, em que, todas as vezes que um Espírito indica, como remédio aos males da Humanidade ou como meio de conseguir-se a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas;

quando formula um sistema que as mais rudimentares noções da Ciência contradizem, não pode ser senão um Espírito ignorante e mentiroso.

 

Por outro lado, crede que, se nem sempre os indivíduos apreciam a verdade, esta é apreciada sempre pelo bom senso das massas, constituindo isso mais um critério.

Se dois princípios se contradizem, achareis a medida do valor intrínseco de ambos, verificando qual dos dois encontra mais ecos e simpatias.

 

Fora, com efeito, ilógico admitir-se que uma doutrina cujo número de adeptos diminua progressivamente seja mais verdadeira do que outra que veja o dos seus em continuo aumento.

 

 Querendo que a verdade chegue a todos, Deus não a confina num círculo acanhado: fá-la surgir em diferentes pontos, a fim de que por toda a parte a luz esteja ao lado das trevas.

 

 

Repeli sem condescendência todos esses Espíritos que se apresentam como conselheiros exclusivos, pregando a separação e o insulamento.

 

São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se a homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes exagerados louvores, a fim de os fascinar e de tê-los dominados.

 

São, geralmente, Espíritos sequiosos de poder e que, déspotas públicos ou nos lares, quando vivos, ainda querem vitimas para tiranizar depois de terem morrido.

Em geral, desconfiai das comunicações que trazem um caráter de misticismo e de singularidade, ou que prescrevem cerimônias e atos extravagantes. Há sempre, nesses casos, motivo legítimo de suspeição.

 

Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com exclusão dos outros.

 

Nenhum médium é perfeito, se está obsidiado; e há manifesta obsessão quando um médium só é apto a receber comunicações de determinado Espírito, por mais alto que este procure colocar-se.

 

Conseguintemente, todo médium e todo grupo que considerem privilégio seu receber as comunicações que obtêm e que, por outro lado, se submetem a práticas que tendem para a superstição, indubitavelmente se acham presas de uma obsessão bem caracterizada,

sobretudo quando o Espírito dominador se pavoneia com um nome que todos, encarnados e desencarnados, devem honrar e respeitar e não permitir seja declinado a todo propósito.

 

É incontestável que, submetendo ao crivo da razão e da lógica todos os dados e todas as comunicações dos Espíritos, fácil se torna rejeitar a absurdidade e o erro.

 

Pode um médium ser fascinado, e iludido um grupo; mas, a verificação severa a que procedam os outros grupos, a ciência adquirida, a alta autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações que os principais médiuns recebam, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, justiçarão rapidamente esses ditados mentirosos e astuciosos, emanados de uma turba de Espíritos mistificadores ou maus.Erasto, discípulo de São Paulo. (Paris, 1862,)

 

Subjugação

 

240. A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.

 

A subjugação pode ser moral ou corporal.

No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação.

 

No segundo caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários.

Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes.

 

Vai, às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos atos.

Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e pedi-la em casamento.

 

Outras vezes, sentia nas costas e nos jarretes (a parte da perna situada atrás da articulação do joelho) uma pressão enérgica, que o forçava, não obstante a resistência que lhe opunha, a se ajoelhar e beijar o chão nos lugares públicos e em presença da multidão.

 

Esse homem passava por louco entre as pessoas de suas relações; estamos, porém, convencidos de que absolutamente não o era; porquanto tinha consciência plena do ridículo do que fazia contra a sua vontade e com isso sofria horrivelmente.

 

241. Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima. A possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação.

 

Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se;

 

segundo, porque implica igualmente a ideia do apoderamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento.

 

Marcos 5 : 1 – 9

1  Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos.

2  Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo,

3  o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo;

4  porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo.

5  Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras.

6  Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou,

7  exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes!

8  Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem!

9  E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.

 

A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados.

 

242. A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade e também um dos mais frequentes.

Por isso mesmo, não serão demais todos os esforços que se empreguem para combatê-la, porquanto, além dos inconvenientes pessoais que acarreta, é um obstáculo absoluto à bondade e à veracidade das comunicações.

 

A obsessão, de qualquer grau, sendo sempre efeito de um constrangimento e este não podendo jamais ser exercido por um bom Espírito, segue-se que toda comunicação dada por um médium obsidiado é de origem suspeita e nenhuma confiança merece.

Se nelas alguma coisa de bom se encontrar, guarde-se isso e rejeite-se tudo o que for simplesmente duvidoso.

 

243. Reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:

 

 

1ª Persistência de um Espírito em se comunicar, bom ou mau grado, pela escrita, pela audição, pela tiptologia, etc., opondo-se a que outros Espíritos o façam;

 

2ª Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe;

 

3ª Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas falsas ou absurdas;

 

4ª Confiança do médium nos elogios que lhe dispensam os Espíritos que por ele se comunicam;

 

5ª Disposição para se afastar das pessoas que podem emitir opiniões aproveitáveis;

 

6ª Tomar a mal a crítica das comunicações que recebe;

 

7ª Necessidade incessante e inoportuna de escrever;

 

8ª Constrangimento físico qualquer, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar a seu mau grado;

 

9ª Rumores e desordens persistentes ao redor do médium, sendo ele de tudo a causa, ou o objeto.

 

244. Diante do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é lastimável o ser-se médium. Não é a faculdade mediúnica que a provoca? Numa palavra, não constitui isso uma prova de inconveniência das comunicações espíritas?

 

Fácil se nos apresenta a resposta e pedimos que a meditem cuidadosamente.

 

Não foram os médiuns, nem os espíritas que criaram os Espíritos; ao contrário, foram os Espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns.

 

Não sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens, é claro que há Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade.

 

A faculdade mediúnica não lhes é mais que um meio de se manifestarem. Em falta dessa faculdade, fazem-no por mil outras maneiras, mais ou menos ocultas. Seria, pois, erro crer-se que só por meio das comunicações escritas ou verbais exercem os Espíritos sua influência.

 

Esta influência é de todos os instantes e mesmo os que não se ocupam com os Espíritos, ou até não creem neles, estão expostos a sofrê-la, como os outros e mesmo mais do que os outros, porque não têm com que a contrabalancem.

 

A mediunidade é, para o espírito, um meio de se fazer conhecido. Se ele é mau, sempre se trai, por mais hipócrita que seja.

Pode, pois, dizer-se que a mediunidade permite se veja o inimigo face a face, se assim nos podemos exprimir, e combatê-lo com suas próprias armas.

 

Sem essa faculdade, ele age na sombra e, tendo a seu favor a invisibilidade, pode fazer e faz realmente muito mal. A quantos atos não é o homem impelido, para desgraça sua, e que teria evitado, se dispusesse de um meio de esclarecer-se!

 

Na Revista Cristã de Espiritismo – Ano XIII – ed. 115, Luiz Roberto Mattos, nos faz uma ótima explanação sobre Novos Mecanismos da Obsessão.

No final, ele relata sobre Obsessão coletiva :

 

“A humanidade, após o advento do cinema e, mais ainda, da televisão, que está dentro de quase todas as casas do mundo, está sofrendo um ataque das trevas de forma sutil, distorcendo valores e criando novos que levam a uma bestialização do ser humano.”

 

“A televisão, que deveria servir para instruir, para educar, hoje, em grande parte, serve apenas para vender produtos e valores nada espirituais ou nobres.”

 

“Muitos filmes e novelas passam valores distorcidos, e a mídia, hoje, tem um gigantesco poder de penetração nas mentes e de influenciação na humanidade.”

 

“Podemos, de certo modo, dizer que há um grande processo de obsessão coletiva no mundo, influenciando a humanidade de forma ostensiva, continuada, e no sentido negativo, que é exatamente a definição de obsessão, como vimos no início de nossas palavras.”

 

“Há muitas propagandas que utilizam hipnose coletiva ! Pense nisso nos filmes e telenovelas criando ou distorcendo valores….é uma forma sutil de obsessão coletiva. Olhos abertos ! “

 

“Se nos guiarmos pelos bons mestres, nossa mente não estará à deriva e à mercê das influências negativas e das sombras que querem dominar o planeta e impedir o seu maior avanço.”

 

“Orar e vigiar, para não cair em tentação, nem em dominação !”

 

Mateus 26 : 41 – Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

 

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