Dupla vista

6 out

Dupla vista

 

Livro : O Livro dos Espíritos – Parte 2ª – Capítulo VIIIDa Emancipação da Alma.

Dupla vista

447 O fenômeno conhecido como dupla vista ou segunda vista tem relação com o sonho e o sonambulismo?

Tudo isso é a mesma coisa.

O que chamais de dupla vista é ainda o Espírito que está mais livre, embora o corpo não esteja adormecido.

A dupla vista é a vista da alma.

 

448 A dupla vista é permanente?

A faculdade, sim; o exercício, não.

Nos mundos menos materiais, os Espíritos se desprendem mais facilmente e se comunicam apenas por meio do pensamento, sem excluir, entretanto, a linguagem articulada.

 

A dupla vista é também, para a maioria dos que lá habitam, uma faculdade permanente.

Seu estado normal pode ser comparado ao dos vossos sonâmbulos lúcidos e é também por essa razão que eles se manifestam mais facilmente do que aqueles que estão encarnados nos corpos mais grosseiros.

 

449 A dupla vista se desenvolve espontaneamente ou pela vontade de quem a possui?

Mais frequentemente é espontânea, mas muitas vezes a vontade aí exerce um grande papel.

Assim, por exemplo, em certas pessoas que se chamam adivinhos, algumas das quais têm essa faculdade, vereis que é exercitando a vontade que chegam a ter dupla vista, o que chamais de visão ou visões.

 

450 Há a possibilidade de se desenvolver a dupla vista pelo exercício?

Sim, o trabalho sempre traz o progresso e faz desaparecer o véu que cobre as coisas.

 

 450 a Essa faculdade tem alguma ligação com a organização física?

– Certamente, o organismo desempenha aí um papel;

existem, porém, organismos que lhe são refratários.

 

451 Por que a dupla vista parece ser hereditária em certas famílias?

– Semelhança dos organismos que se transmite como as outras qualidades físicas.

Além disso, a faculdade se desenvolve por uma espécie de educação que também se transmite de um para outro.

 

452 É certo que algumas circunstâncias provocam o desenvolvimento da dupla vista?

Sim. A doença, a expectativa de um perigo, uma grande comoção podem desenvolvê-la.

O corpo está algumas vezes num estado incomum, especial, que permite ao Espírito ver o que não podeis ver com os olhos do corpo.

 

Em tempos de crise e de calamidades, as grandes emoções, todas as causas que superexcitam o moral provocam, algumas vezes, o desenvolvimento da dupla vista.

Parece que a Providência, em presença do perigo, nos dá o meio de afastá-lo.

Todas as seitas e facções políticas perseguidas nos oferecem numerosos exemplos disso.

 

453 As pessoas dotadas da dupla vista têm sempre consciência disso?

Nem sempre.

Para elas é uma coisa totalmente natural, e muitos acreditam que, se todas as pessoas observassem o que se passa consigo mesmas, deveriam ser como eles.

 

454 Poderíamos atribuir a uma espécie de dupla vista a perspicácia de certas pessoas que, sem nada terem de extraordinário, julgam as coisas com mais precisão do que as outras?

É sempre a alma que irradia mais livremente e julga melhor que sob o véu da matéria.

 

454 a Essa faculdade pode, em certos casos, dar a previsão das coisas?

Sim, e também os pressentimentos, porque existem vários graus nessa faculdade, e a mesma pessoa pode ter todos os graus ou apenas alguns.

 

 

Livro : A GêneseCapítulo XIVFatos tidos como Sobrenaturais – II. Explicação de alguns Fenômenos considerados sobrenaturais.

 

Dupla vista

 

22. – O perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual.

 

É por seu intermédio que o Espírito encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados;

é, em suma, por seu intermédio, que se operam no homem fenômenos especiais, cuja causa fundamental não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem sobrenaturais.

 

É nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico que se tem de procurar a causa da dupla vista, ou vista espiritual, a que também se pode chamar vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, frequentemente a seu mau grado, assim como da vista sonambúlica.

 

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos.

 

Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais;

pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas se generalizam o Espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico.

 

No homem, tais fenômenos constituem a manifestação da vida espiritual;

é a alma a atuar fora do organismo.

 

Na dupla vista ou percepção pelo sentido psíquico, ele não vê com os olhos do corpo, embora, muitas vezes, por hábito, dirija o olhar para o ponto que lhe chama a atenção.

Vê com os olhos da alma e a prova está em que vê perfeitamente bem com os olhos fechados e vê o que está muito além do alcance do raio visual.

Lê o pensamento figurado no raio fluídico (nº 15).

 

15. – Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar;

eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som..

 

Pode-se pois dizer, sem receio de errar, que há, nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios (2) sonoros.

 

(2) Nota da Editora, à 16ª edição, de 1973: Como consta no original francês. Usaríamos o termo vibrações, definido com clareza nos modernos dicionários e plenamente consagrado na nossa literatura espírita.

 

Há mais: criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho;

toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa.

 

Tenha um homem, por exemplo, a ideia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último;

executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar.

O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espírito.

 

Desse modo é que os mais secretos movimentos da alma repercutem no envoltório fluídico;

que uma alma pode ler noutra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos do corpo.

 

Contudo, vendo a intenção, pode ela pressentir a execução do ato que lhe será a consequência, mas não pode determinar o instante em que o mesmo ato será executado, nem lhe assinalar os pormenores, nem, ainda, afirmar que ele se dê, porque circunstâncias ulteriores poderão modificar os planos assentados e mudar as disposições.

 

Ele não pode ver o que ainda não esteja no pensamento do outro;

o que vê é a preocupação habitual do indivíduo, seus desejos, seus projetos, seus desígnios bons ou maus.

 

 

Livro : A GêneseCapítulo XV – Os Milagres do Evangelho.

 

Dupla vista

 

Entrada de Jesus em Jerusalém

 

5. Quando eles se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, perto do Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: – Ide a essa aldeia que está à vossa frente e, lá chegando, encontrareis amarrada uma jumenta e junto dela o seu jumentinho ; desamarrai-a e trazei-mos.

– Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei que o Senhor precisa deles e logo deixará que os conduzais.

– Ora, tudo isso se deu, a fim de que se cumprisse esta palavra do profeta: – Dizei à filha de Sião: Eis o teu rei, que vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta e com o jumentinho da que esta sob o jugo. (Zacarias, cap. IX, vv. 9 e 10.)

 

Os discípulos então foram e fizeram o que Jesus lhes ordenara. – E, tendo trazido a jumenta e o jumentinho, a cobriram com suas vestes e o fizeram montar. (Mateus, cap. XXI, vv. 1 a 7.)

 

Beijo de Judas

 

6. – Levantai-vos, vamos, que já esta perto daqui aquele que me há de trair.

– Ainda não acabara de dizer essas palavras e eis que Judas, um dos doze, chegou e com ele uma tropa de gente armada de espadas e paus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.

– Ora, o que o traía lhes havia dado um sinal para o reconhecerem, dizendo-lhes: Aquele a quem eu beijar é esse mesmo o que procurais; apoderai-vos dele.

– Logo, pois, se aproximou de Jesus e lhe disse: Mestre, eu te saúdo; e o beijou.

– Jesus lhe respondeu: Meu amigo, que vieste fazer aqui? Ao mesmo tempo, os outros, avançando, se lançaram a Jesus e dele se apoderaram. ( Mateus, cap. XXVI, vv. 46 a 50.)

 

 

Pesca milagrosa

 

7. – Um dia, estando Jesus a margem do lago de Genesaré, como a multidão de povo o comprimisse para ouvir a palavra de Deus, – viu ele duas barcas atracadas à borda do lago e das quais os pescadores haviam desembarcado e lavavam suas redes.

– Entrou numa dessas barcas, que era de Simão, e lhe pediu que a afastasse um pouco da margem; e, tendo-se sentado, ensinava ao povo de dentro da barca.

Quando acabou de falar, disse a Simão: Avança para o mar e lança as tuas redes de pescar.

– Respondeu-lhe Simão: Mestre, trabalhamos a noite toda e nada apanhamos; contudo, pois que mandas, lançarei a rede.

– Tendo-a lançado, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompeu.

– Acenaram para os companheiros que estavam na outra barca, a fim de que viessem ajudá-los.

Eles vieram e encheram de tal modo as barcas, que por pouco estas não se submergiram. ( Lucas, cap. V, vv. 1 a 7.)

 

      Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus

 

8. – Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu Jesus dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam suas redes ao mar, pois que eram pescadores;

– e lhes disse: Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens.

– Logo eles deixaram suas redes e o seguiram.

Daí, continuando, viu ele dois outros irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca com Zebedeu, pai de ambos, os quais estavam a consertar suas redes, e os chamou.

– Eles imediatamente deixaram as redes e o pai e o seguiram. (Mateus, cap. IV, vv. 18 a 22.)

 

Saindo dali, Jesus, ao passar, viu um homem sentado à banca dos impostos, chamado Mateus, ao qual disse: Segue-me; e o homem logo se levantou e o seguiu. ( Mateus, cap. IV, v. 9.)

 

9. – Nada apresentam de surpreendentes estes fatos, desde que se conheça o poder da dupla vista e a causa, muito natural, dessa faculdade.

 

Jesus a possuía em grau elevado e pode dizer-se que ela constituía o seu estado normal, conforme o atesta grande número de atos da sua vida, os quais, hoje, têm a explicá-los os fenômenos magnéticos e o Espiritismo.

 

A pesca qualificada de miraculosa igualmente se explica pela dupla vista.

Jesus não produziu espontaneamente peixes onde não os havia;

ele viu, com a vista da alma, como teria podido fazê-lo um lúcido vígil, o lugar onde se achavam os peixes e disse com segurança aos pescadores que lançassem aí suas redes.

 

A acuidade do pensamento e, por conseguinte, certas previsões decorrem da vista espiritual.

 

Quando Jesus chama a si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, é que lhes conhecia as disposições íntimas e sabia que eles o acompanhariam e que eram capazes de desempenhar a missão que tencionava confiar-lhes.

 

E mister se fazia que eles próprios tivessem intuição da missão que iriam desempenhar para, sem hesitação, atenderem ao chamamento de Jesus.

 

O mesmo se deu quando, por ocasião da Ceia, ele anunciou que um dos doze o trairia e o apontou, dizendo ser aquele que punha a mão no prato;

e deu-se também, quando predisse que Pedro o negaria.

 

Em muitos passos do Evangelho se lê:  «Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, lhes diz… »

 

Ora, como poderia ele conhecer os pensamentos dos seus interlocutores, senão pelas irradiações fluídicas desses pensamentos e, ao mesmo tempo, pela vista espiritual que lhe permitia ler-lhes no foro íntimo?

 

Mateus 9 : 4 –  Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração?

 

Marcos 2 : 8 –  E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?

 

Lucas 5 : 22 –  Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração?

 

Muitas vezes, supondo que um pensamento se acha sepultado nos refolhos da alma, o homem não suspeita que traz em si um espelho onde se reflete aquele pensamento, um revelador na sua própria irradiação fluídica, impregnada dele.

 

Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos cerca, as ramificações dos fios condutores do pensamento, a ligarem todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das marcas do mundo moral, os quais, como correntes aéreas, atravessam o espaço, muito menos surpreendidos ficaríamos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso. (Cap. XIV, nos 15, 22 e seguintes.)

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