Caracteres da perfeição ; O homem de bem

7 jan

Caracteres da perfeição

 

O Evangelho segundo o Espiritismo –  Cap. XVIISede perfeitos

 

1. Amai os vossos inimigos;

fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

 

– Porque, se somente amardes os que vos amam que recompensa tereis disso?

Não fazem assim também os publicanos?

 

– Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros?

Não fazem o mesmo os pagãos?

 

-Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (MATEUS, cap. V : 44,  46 a 48.)

 

2. Pois que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta proposição: “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial”, tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta.

Se à criatura fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia ela igual a este, o que é inadmissível.

 

Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem pelo alcançar.

 

Aquelas palavras, portanto, devem entender-se no sentido da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível e que mais a aproxima da Divindade.

 

Em que consiste essa perfeição?

Jesus o diz: “Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem.”

Mostra ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.

 

Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum haver que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação;

 

e isso porque tudo o que sobre-excita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento.

 

Não podendo o amor do próximo, levado até ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na razão direta da sua extensão.

 

Foi por isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse: “Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial.”

 

 

O homem de bem

 

3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.

 

Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele;

enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

 

Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria.

Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.

 

Lucas 22 : 42 – dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice;

contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.

 

Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

 

I Coríntios 14 : 1 – Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.

 

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.

 

II  Tessalonicenses  1 : 4  –  5

 4 – a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais,

 5 – sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo;

 

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma;

retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

 

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos.

 

II  Coríntios   1 : 4 –  É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

 

Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse.

O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.

 

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

 

Tiago  2  :  8  –  9

Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem;

 

se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores.

 

 

Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.

 

Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.

 

Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança;

a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

 

Mateus  6  :  14  –  15 

14  Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;

15  se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

 

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.”

 

João  8  :  7 –  Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.

 

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los.

Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal..

 

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las.

Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

 

Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem;

aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.

 

Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.

 

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.

 

Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus;

usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.

 

Colossenses  4  : 1 – Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.

 

Efésios  6  : 9 –  E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.

 

Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

 

O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9.)

 

Efésios  6  : 6  –  8

não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;

servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens,

certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.

 

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.

 

Mateus  7  : 12 –  Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles;

porque esta é a Lei e os Profetas.

 

Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem;

mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.

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