Os superiores e os inferiores

18 jan

Os superiores e os inferiores

 

O Evangelho segundo o EspiritismoCap. XVIISede perfeitos

 

Caracteres da perfeição

 

1. Amai os vossos inimigos;

fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

 

Porque, se somente amardes os que vos amam que recompensa tereis disso?

Não fazem assim também os publicanos?

 

Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros?

Não fazem o mesmo os pagãos?

 

Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (MATEUS, cap. V : 44, 46 a 48.)

 

Os superiores e os inferiores

 

9. A autoridade, tanto quanto a riqueza, é uma delegação de que terá de prestar contas aquele que se ache dela investido.

 

Não julgueis que lhe seja ela conferida para lhe proporcionar o vão prazer de mandar;

nem, conforme o supõe a maioria dos potentados da Terra, como um direito, uma propriedade.

 

Deus, aliás, lhes prova constantemente que não é nem uma nem outra coisa, pois que deles a retira quando lhe apraz.

Se fosse um privilégio inerente às suas personalidades, seria inalienável.

A ninguém cabe dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem seu consentimento.

Deus confere a autoridade a título de missão, ou de prova, quando o entende, e a retira quando julga conveniente.

 

Quem quer que seja depositário de autoridade, seja qual for a sua extensão, desde a do senhor sobre o seu servo, até a do soberano sobre o seu povo, não deve olvidar que tem almas a seu cargo;

 

que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e que sobre ele recairão as faltas que estes cometam, os vícios a que sejam arrastados em consequência dessa diretriz ou dos maus exemplos,

do mesmo modo que colherá os frutos da solicitude que empregar para os conduzir ao bem.

 

Colossenses  4 : 1  – Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.

 

Efésios  6 : 9  – E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.

 

Todo homem tem na Terra uma missão, grande ou pequena;

qualquer que ela seja, sempre lhe é dada para o bem;

falseá-la em seu princípio é, pois, falir ao seu desempenho.

 

Assim como pergunta ao rico: “Que fizeste da riqueza que nas tuas mãos devera ser um manancial a espalhar a fecundidade ao teu derredor”,

também Deus inquirirá daquele que disponha de alguma autoridade: “Que uso fizeste dessa autoridade? Que males evitaste? Que progresso facultaste?

 

Se te dei subordinados, não foi para que os fizesses escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis aos teus caprichos ou à tua cupidez;

fiz-te forte e confiei-te os que eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu seio.”

 

O superior, que se ache compenetrado das palavras do Cristo, a nenhum despreza dos que lhe estejam submetidos, porque sabe que as distinções sociais não prevalecem às vistas de Deus.

 

Colossenses  4 : 1  – Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.

 

Ensina-lhe o Espiritismo que, se eles hoje lhe obedecem, talvez já lhe tenham dado ordens, ou poderão dar-lhas mais tarde, e que ele então será tratado conforme os haja tratado, quando sobre eles exercia autoridade.

Mas, se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados.

 

Efésios  6 : 6  – 8

não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;

servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens,

certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.

 

Se for espírita, sua consciência ainda mais imperiosamente lhe dirá que não pode considerar-se dispensado de cumpri-los, nem mesmo quando o seu chefe deixe de dar cumprimento aos que lhe correm,

porquanto sabe muito bem não ser lícito retribuir o mal com o mal e que as faltas de uns não justificam as de outrem.

 

Tito  2 : 7  –   8

Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras.

No ensino, mostra integridade, reverência,

 

linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito.

 

Se a sua posição lhe acarreta sofrimentos, reconhecerá que sem dúvida os mereceu, porque, provavelmente, abusou outrora da autoridade que tinha, cabendo-lhe, portanto, experimentar a seu turno o que fizera sofressem os outros.

 

Se se vê forçado a suportar essa posição, por não encontrar outra melhor, o Espiritismo lhe ensina a resignar-se, como constituindo isso uma prova para a sua humildade, necessária ao seu adiantamento.

 

Sua crença lhe orienta a conduta e o induz a proceder como quereria que seus subordinados procedessem para com ele, caso fosse o chefe.

 

Por isso mesmo, mais escrupuloso se mostra no cumprimento de suas obrigações, pois compreende que toda negligência no trabalho que lhe está determinado redunda em prejuízo para aquele que o remunera e a quem deve ele o seu tempo e os seus esforços.

 

Numa palavra: solicita-o o sentimento do dever, oriundo da sua fé, e a certeza de que todo afastamento do caminho reto implica uma dívida que, cedo ou tarde, terá de pagar.François-Nicolas-Madeleine, Cardeal Morlot. (Paris, 1863.)

 

 

Os bons espíritas

 

4. Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um, o mesmo é que outro.

 

O Espiritismo não institui nenhuma nova moral;

apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

 

João  14  : 26 –  mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

 

João  15  : 26 –  Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;

 

João  16  : 7  –  14

Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros;

se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.

 

Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:

do pecado, porque não creem em mim;

10  da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;

11  do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

 

12  Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora;

 

13  quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade;

porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.

 

14  Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

 

Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos.

 

A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina?

Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações.

 

A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência.

Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.

 

Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum?

Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes.

 

Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem,

enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral,

maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.

 

Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra;

a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados.

 

Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas.

Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações.

 

Atêm-se mais aos fenômenos do que a moral, que se lhes afigura cediça ( estagnada, parada) e monótona.

Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os segredos do Criador.

 

Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções.

 

Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência.

 

Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral.

 

O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro;

os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes.

 

Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé.

Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons.

 

Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

 

Mateus  11  : 12 –  Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.

 

I  Pedro  5  : 10 –  depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.

 

Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade.

 

 

Parábola do semeador

 

5. Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar;

– em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente;

pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo.

Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim:

 

Aquele que semeia saiu a semear;

e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram.

 

Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra;

as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído.

Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram.

 

Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram.

 

Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta.

– Ouça quem tem ouvidos de ouvir. (MATEUS, cap. XIII : 1 a 9.)

 

 

Escutai, pois, vós outros a parábola do semeador.

 

 – Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração.

Esse é o que recebeu a semente ao longo do caminho.

 

Aquele que recebe a semente em meio das pedras é o que escuta a palavra e que a recebe com alegria no primeiro momento.

– Mas, não tendo nele raízes, dura apenas algum tempo.

Em sobrevindo reveses e perseguições por causa da palavra, tira ele daí motivo de escândalo e de queda.  

 

Aquele que recebe a semente entre espinheiros é o que ouve a palavra;

mas, em quem, logo, os cuidados deste século e a ilusão das riquezas abafam aquela palavra e a tornam infrutífera.

 

Aquele, porém, que recebe a semente em boa terra é o que escuta a palavra, que lhe presta atenção e em quem ela produz frutos, dando cem ou sessenta, ou trinta por um. ( MATEUS, cap. XIII : 18 a 23.)

 

 

6. A parábola do semeador exprime perfeitamente os matizes existentes na maneira de serem utilizados os ensinos do Evangelho.

 

Quantas pessoas há, com efeito, para as quais não passa ele de letra morta e que, como a semente caída sobre pedregulhos, nenhum fruto dá!

 

Não menos justa aplicação encontra ela nas diferentes categorias espíritas.

Não se acham simbolizados nela os que apenas atentam nos fenômenos materiais e nenhuma consequência tiram deles, porque neles mais não veem do que fatos curiosos?

 

Os que apenas se preocupam com o lado brilhante das comunicações dos Espíritos, pelas quais só se interessam quando lhes satisfazem à imaginação, e que, depois de as terem ouvido, se conservam tão frios e indiferentes quanto eram?

 

Os que reconhecem muito bons os conselhos e os admiram, mas para serem aplicados aos outros e não a si próprios?

 

Aqueles, finalmente, para os quais essas instruções são como a semente que cai em terra boa e dá frutos?

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