Considerações e concordâncias bíblicas a respeito da Criação – II

28 maio

Considerações e concordâncias bíblicas a respeito da Criação – II

 

Livro : A GêneseCapítulo IV

Papel da Ciência na Gênese

1. – A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da religião deles, donde o terem sido religiosos os seus primeiros livros.

E como todas as religiões se ligam ao princípio das coisas, que é também o da Humanidade, elas deram, sobre a formação e o arranjo do Universo, explicações em concordância com o estado dos conhecimentos da época e de seus fundadores.

Daí resultou que os primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, como foram, durante largo período, o código único das leis civis.

 
2 – ……….À medida que o homem se foi adiantando no conhecimento dessas leis, também foi penetrando os mistérios da criação e retificando as ideias que formara acerca da origem das coisas.

 
3. – Impotente se mostrou ele para resolver o problema da criação, até ao momento em que a Ciência lhe forneceu para isso a chave.
Teve de esperar que a Astronomia lhe abrisse as portas do espaço infinito e lhe permitisse mergulhar aí o olhar;

que, pelo poder do cálculo, possível se lhe tornasse determinar com rigorosa exatidão o movimento, a posição, o volume, a natureza e o papel dos corpos celestes;
que a Física lhe revelasse as leis da gravitação, do calor, da luz e da eletricidade;

que a Química lhe mostrasse as transformações da matéria e a Mineralogia os materiais que formam a superfície do globo;

que a Geologia lhe ensinasse a ler, nas camadas terrestres, a formação gradual desse mesmo globo.
À Botânica, à Zoologia, à Paleontologia, à Antropologia coube iniciá-lo na filiação e sucessão dos seres organizados.

Com a Arqueologia pode ele acompanhar os traços que a Humanidade deixou através das idades.

Numa palavra, completando-se umas às outras, todas as ciências houveram de contribuir com o que era indispensável para o conhecimento da história do mundo.

 

Em falta dessas contribuições, teve o homem como guia as suas primeiras hipóteses.
Por isso, antes que ele entrasse na posse daqueles elementos de apreciação, todos os comentadores da Gênese, cuja razão esbarrava em impossibilidades materiais, giravam dentro de um círculo, sem conseguirem dele sair.

Só o lograram, quando a Ciência abriu caminho, fendendo o velho edifício das crenças.

Tudo então mudou de aspecto.
Uma vez achado o fio condutor, as dificuldades prontamente se aplanaram.

Em vez de uma Gênese imaginária, surgiu uma Gênese positiva e, de certo modo, experimental.

O campo do Universo se distendeu ao infinito.
Acompanhou-se a formação gradual da Terra e dos astros, segundo leis eternas e imutáveis, que demonstram muito melhor a grandeza e a sabedoria de Deus, do que uma criação miraculosa, tirada repentinamente do nada, qual mutação à vista, por efeito de súbita ideia da Divindade, após uma eternidade de inação.

 
Pois que é impossível se conceba a Gênese sem os dados que a Ciência fornece, pode dizer-se com inteira verdade que:

a Ciência é chamada a constituir a verdadeira Gênese, segundo a lei da Natureza.

 
11. – A Gênese se divide em duas partes: a história da formação do mundo material e da Humanidade considerada em seu duplo princípio, corporal e espiritual.

A Ciência se tem limitado à pesquisa das leis que regem a matéria.

No próprio homem, ela apenas há estudado o envoltório carnal.

Por esse lado, chegou a inteirar-se, com exatidão, das partes principais do mecanismo do Universo e do organismo humano.

 
12. – Esta questão, no entanto, é a mais importante para o homem, por isso que envolve o problema do seu passado e do seu futuro.

A do mundo material apenas indiretamente o afeta.

O que lhe importa saber, antes de tudo, é donde ele veio e para onde vai, se já viveu e se ainda viverá, qual a sorte que lhe está reservada.

 
13. – Todas as religiões são acordes quanto ao princípio da existência da alma, sem, contudo, o demonstrarem.

Não o são, porém, nem quanto a sua origem, nem com relação ao seu passado e ao seu futuro, nem, principalmente, e isso é o essencial, quanto às condições de que depende a sua sorte vindoura.

 
Em sua maioria, elas apresentam, do futuro da alma, e o impõem à crença de seus adeptos, um quadro que somente a fé cega pode aceitar, visto que não suporta exame sério.

Ligado aos seus dogmas, às ideias que nos tempos primitivos se faziam do mundo material e do mecanismo do Universo, o destino que elas atribuem à alma não se concilia com o estado atual dos conhecimentos.

Não podendo, pois, senão perder com o exame e a discussão, as religiões acham mais simples proscrever ( proibir, condenar)  uma e outro.

 
14. – Dessas divergências no tocante ao futuro do homem nasceram a dúvida e a incredulidade.

Entretanto, a incredulidade dá lugar a um penoso vácuo.

O homem encara com ansiedade o desconhecido em que tem fatalmente de penetrar.
Gela-o a ideia do nada.

 

Diz-lhe a consciência que alguma coisa lhe esta reservada para além do presente.

 

Que será?

Sua razão, com o desenvolvimento que alcançou, já lhe não permite admitir as histórias com que o acalentaram na infância, nem aceitar como realidade a alegoria.

 

Qual o sentido dessa alegoria?

A Ciência lhe rasgou um canto do véu;

não lhe revelou, porém, o que mais lhe importa saber.
Ele interroga em vão, nada lhe responde ela de maneira peremptória e apropriada a lhe acalmar as apreensões.

 

Por toda parte depara com a afirmação a se chocar com a negação, sem que de um lado ou de outro se apresentem provas positivas.

Daí a incerteza e a incerteza sobre o que concerne à vida futura faz que o homem se atire, tomado de uma espécie de frenesi, para as coisas da vida material.
Esse o inevitável efeito das épocas de transição: rui o edifício do passado, sem que ainda o do futuro se ache construído.

 

O homem se assemelha ao adolescente que, já não tendo a crença ingênua dos seus primeiros anos, ainda não possui os conhecimentos próprios da maturidade.

Apenas sente vagas aspirações, que não sabe definir.

 

15. – Se a questão do homem espiritual permaneceu, até aos dias atuais, em estado de teoria, é que faltavam os meios de observação direta, existentes para comprovar o estado do mundo material, conservando-se, portanto, aberto o campo às concepções do espírito humano.

Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria e não pôde aplicar o método experimental, andou a errar de sistema em sistema, no tocante ao mecanismo do Universo e à formação da Terra.

O que se deu na ordem física, deu-se também na ordem moral.
Para fixar as ideias, faltou o elemento essencial: o conhecimento das leis a que se acha sujeito o princípio espiritual.

 

Estava reservado à nossa época esse conhecimento, como o esteve aos dois últimos séculos o das leis da matéria.

 
16. – Até ao presente, o estudo do princípio espiritual, compreendido na Metafísica, foi puramente especulativo e teórico.

No Espiritismo, é inteiramente experimental.

 

Com o auxílio da faculdade mediúnica, mais desenvolvida presentemente e, sobretudo, generalizada e mais bem estudada, o homem se achou de posse de um novo instrumento de observação.
A mediunidade foi, para o mundo espiritual, o que o telescópio foi para o mundo astral e o microscópio para o dos infinitamente pequenos.

 

Permitiu se explorassem, estudassem, por assim dizer, de visu, as relações daquele mundo com o mundo corpóreo;

que, no homem vivo, se destacasse do ser material o ser inteligente e que se observassem os dois a atuar separadamente.

 
Uma vez estabelecidas relações com os habitantes do mundo espiritual, possível se tornou ao homem seguir a alma em sua marcha ascendente, em suas migrações, em suas transformações.

Pode-se, enfim, estudar o elemento espiritual.

 

Exemplos de Mediunidade :

 

O Profeta Samuel era médium vidente.

I Samuel 9: 9 – (Antigamente, em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia: Vinde, vamos ter com o vidente; porque ao profeta de hoje, antigamente, se chamava vidente.)

 

I Samuel 9: 19 – Samuel respondeu a Saul e disse: EU SOU O VIDENTE; sobe adiante de mim ao alto; hoje, comereis comigo. Pela manhã, te despedirei e tudo quanto está no teu coração to declararei.

 

Zacarias era médium vidente e audiente

Lucas 1: 11 e 13

11 E eis que lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso.

13 Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João.

 

Orientações para reuniões mediúnicas e sobre a Mediunidade:

 

I João 4: 1 – Amados, não deis crédito a qualquer espírito;

antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.

 

Observação : Na 1ª Categoria há Posts sobre Mediunidade e de exemplos de  Mediunidade na Bíblia.

 
17. – Estando o mundo espiritual e o mundo material em incessante contacto, os dois são solidários;

ambos têm a sua parcela de ação na Gênese.

 

Sem o conhecimento das leis que regem o primeiro, tão impossível seria constituir-se uma Gênese completa, quanto a um estatuário dar vida a uma estátua.
Somente agora, conquanto nem a Ciência material, nem a Ciência espiritual hajam dito a última palavra, possui o homem os dois elementos próprios a lançar luz sobre esse imenso problema.

Eram-lhe absolutamente indispensáveis essas duas chaves para chegar a uma solução, embora aproximativa.

 

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