A VIA LÁCTEA ; As Estrelas Fixas

11 set

A VIA LÁCTEA

 

Hebreus 11 : 3 –  Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.
Hebreus 11 : 1 –  Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.
 

Livro : A GÊNESE (1868) –  Capítulo VIUranografia GeralEscrito por Galileu Galilei (1564 – 1642) e psicografado por Camille Flammarion.

Observação : Galileu inventou o telescópio em 1609.

 

A Via Láctea

32. – Pelas belas noites estreladas e sem luar, toda gente há contemplado essa faixa esbranquiçada que atravessa o céu de uma extremidade a outra e que os antigos cognominaram de Via-Láctea, por motivo da sua aparência leitosa.

 

Esse clarão difuso o olho do telescópio o tem longamente explorado nos modernos tempos;

essa estrada de poeira de ouro, esse regato de leite da mitologia antiga se transformou num vasto campo de inconcebíveis maravilhas.

 

As pesquisas dos observadores conduziram ao conhecimento da sua natureza e revelaram que, ali, onde o olhar errante apenas percebia uma fraca luminosidade, há milhões de sóis mais luminosos e mais importantes do que o que nos clareia a Terra.

 

 

33. – Com efeito, a Via-Láctea é uma campina matizada de flores solares e planetárias, que brilham em toda a sua enorme extensão.

 

O nosso Sol e todos os corpos que o acompanham fazem parte desse conjunto de globos radiosos que formam a Via-Láctea.

 

Mau grado, porém, às suas proporções gigantescas, relativamente à Terra, e à grandeza do seu império, ele, o Sol, ocupa inapreciável lugar em tão vasta criação.

 

Podem contar-se por uma trintena de milhões os sóis que, à sua semelhança, gravitam nessa imensa região, afastados uns dos outros de mais de cem mil vezes o raio da órbita terrestre. (1)

(1) Mais de 3 trilhões e 400 bilhões de léguas.

Légua : Antiga unidade brasileira de medida itinerária, equivalente a 3.000 braças,

ou seja, 6.600 m;

 

http://www.observatorio.ufmg.br/pas32.htm

 

 

34. – Por esse cálculo aproximativo se pode julgar da extensão de tal região sideral e da relação que existe entre o nosso sistema planetário e a universalidade dos sistemas que ela contém.

Pode-se igualmente julgar da exiguidade do domínio solar e, a fortiori, do nada que é a nossa pequenina Terra.

Que seria, então, se se considerassem os seres que o povoam!

 

A fortiori : (pronuncia-se a forcióri) é o início de uma expressão latina – a fortiori ratione – que significa “por causa de uma razão mais forte”, ou seja, “com muito mais razão”.

Indica que uma conclusão deverá ser necessariamente aceite, já que ela é logicamente muito mais verdadeira que outra que já o foi anteriormente.

Um raciocínio é a fortiori quando contém certos enunciados que se supõe reforçarem a verdade da proposição que se tenta demonstrar.

Traduz-se mais ou menos como “se aceitamos a verdade daquilo, então com muito mais razão temos de aceitar a verdade disto”.

 

Digo – «do nada» – porque as nossas determinações se aplicam não só à extensão material, física, dos corpos que estudamos – o que pouco seria – mas, também e sobretudo, ao estado moral deles como habitação e ao grau que ocupam na eterna hierarquia dos seres.

 

A criação se mostra aí em toda a sua majestade, engendrando e propagando, em torno do mundo solar e em cada um dos sistemas que o rodeiam por todos os lados, as manifestações da vida e da inteligência.

 

 

35. – Assim, fica-se conhecendo a posição que o nosso Sol ou a Terra ocupam no mundo das estrelas.

Ainda maior peso ganharão estas considerações, se refletirmos sobre o estado mesmo da Via-Láctea que, na imensidade das criações siderais, não representa mais do que um ponto insensível e inapreciável, vista de longe, porquanto ela não é mais do que uma nebulosa estelar, entre os milhões das que existem no espaço.

 

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/laniakea-endereco-da-via-lactea-13823087

 

Se ela nos parece mais vasta e mais rica do que outras, é pela única razão de que nos cerca e se desenvolve em toda a sua extensão sob os nossos olhares, ao passo que as outras, sumidas nas profundezas insondáveis, mal se deixam entrever.

 

 

36. – Ora, sabendo-se que a Terra nada é, ou quase nada, no sistema solar;

que este nada é, ou quase nada, na Via-Láctea;

esta por sua vez, nada, ou quase nada, na universalidade das nebulosas e essa própria universalidade bem pouca coisa dentro do imensurável infinito, começa-se a compreender o que é o globo terrestre.

 

 

As estrelas fixas

 
37. – As estrelas chamadas «fixas» e que constelam os dois hemisférios do firmamento não se acham de todo isentas de qualquer atração exterior, como geralmente se supõe.

 

Longe disso: elas pertencem todas a uma mesma aglomeração de astros estelares, aglomeração que não é senão a grande nebulosa de que fazemos parte e cujo plano equatorial, projetado no céu, recebeu o nome de Via-Láctea.

 

Todos os sóis que a constituem são solidários;

suas múltiplas influências reagem perpetuamente umas sobre as outras e a gravitação universal as grupa todas numa mesma família.

 

 

38. – Esses diversos sóis estão na sua maioria, como o nosso, cercados de mundos secundários, que eles iluminam e fecundam por intermédio das mesmas leis que presidem à vida do nosso sistema planetário.

 

Uns, como Sírio, são milhares de milhões de vezes mais grandiosos e magnificentes em dimensões e em riquezas do que o nosso e muito mais importante é o papel que desempenham no Universo.

 

http://www.portaldoastronomo.org/noticia.php?id=601

 

Também planetas em muito maior número e muito superiores aos nossos os cercam.

Outros são muito dessemelhantes pelas suas funções astrais.

 

É assim que certo número desses sóis, verdadeiros gêmeos da ordem sideral, são acompanhados de seus irmãos da mesma idade, e formam, no espaço, sistemas binários, aos quais a Natureza outorgou funções inteiramente diversas das que tocaram ao nosso Sol (1).

 

(1) “É o a que se dá, em Astronomia, o nome de “estrelas duplas“.

São dois sóis, um dos quais gira em torno do outro, como um planeta em torno do seu sol.

 

De que singular e magnífico espetáculo não gozarão os habitantes dos mundos que formam esses sistemas iluminados por duplo sol!

 

Mas, também, quão diferentes não hão de ser neles as condições da vitalidade!

 

Numa comunicação dada ulteriormente, acrescentou o Espírito Galileu:

“Há mesmo sistemas ainda mais complicados, em que diferentes sóis desempenham, uns com relação a outros, o papel de satélites.

 

Produzem-se então maravilhosos efeitos de luz, para os habitantes dos globos que tais sóis iluminam, tanto mais quanto, sem embargo da aparente proximidade em que se encontram uns dos outros, podem mundos habitados circular entre eles e receber alternativamente as ondas de luz diversamente coloridas, cuja reunião recompõe a luz branca.”

 

Lá, os anos não se medem pelos mesmos períodos, nem os dias pelos mesmos sóis e esses mundos, iluminados por um duplo facho, foram dotados de condições de existência inimagináveis por parte dos que ainda não saíram deste pequenino mundo terrestre.

 

Outros astros, sem cortejo, privados de planetas, receberam elementos de habitabilidade melhores do que os conferidos a qualquer dos demais.

Na sua imensidade, as leis da Natureza se diversificam e, se a unidade é a grande expressão do Universo, a variedade infinita é igualmente seu eterno atributo.

 

 

39. – Mau grado ao prodigioso número dessas estrelas e de seus sistemas, mau grado as distâncias incomensuráveis que as separam, elas pertencem todas à mesma nebulosa estelar que os mais possantes telescópios mal conseguem atravessar e que as concepções da mais ousada imaginação apenas logram alcançar, nebulosa que, entretanto, é simplesmente uma unidade na ordem das nebulosas que compõem o mundo astral.

 

 

40. – As estrelas chamadas fixas não estão imóveis na amplidão.

 

http://www.planetariodorio.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=286:as-estrelas-fixas-n%C3%A3o-s%C3%A3o-fixas&Itemid=309

 

Às constelações que se figuraram na abóbada do firmamento não são reais criações simbólicas.

A distância a que se acham da Terra e a perspectiva sob a qual se mede, da estação terrena, o Universo, constituem as duas causas dessa dupla ilusão de óptica. (Capítulo V, n.º 12.)

 

 

41. – Vimos que a totalidade dos astros que cintilam na cúpula azulada se acha encerrada numa aglomeração cósmica, numa mesma nebulosa a que chamais Via-Láctea.

 

Mas, por pertencerem todos ao mesmo grupo, não se segue que esses astros não estejam animados todos de movimento de translação no espaço, cada um com o seu.

 

Em parte nenhuma existe o repouso absoluto.

Eles têm a regê-los as leis universais da gravitação e rolam no espaço ilimitado sob a impulsão incessante dessa força imensa.

Rolam, não segundo roteiros traçados pelo acaso, mas segundo órbitas fechadas, cujo centro um astro superior ocupa.

 

Para tornar, por meio de um exemplo, mais compreensíveis as minhas palavras, falarei de modo especial do vosso Sol.

 

42. – Sabe-se, em consequência de modernas observações, que ele não é fixo, nem central, como se acreditava nos primeiros tempos da nova astronomia;

que avança pelo espaço, arrastando consigo o seu vasto sistema de planetas, de satélites e de cometas.

 

Ora, não é fortuita esta marcha e ele não vai, errando pelos vácuos infinitos, transviar seus filhos e seus súditos, longe das regiões que lhe estão assinadas.

Não, sua órbita é determinada e, em concorrência com outros sóis da mesma ordem e rodeados todos de certo número de terras habitadas, ele gravita em torno de um sol central.

 

Seu movimento de gravitação, como o dos sóis seus irmãos, é inapreciável a observações anuais, porque somente grande número de períodos seculares seriam suficientes para marcar um desses anos astrais.

 

 

43. – O sol central, de que acabamos de falar, também é um globo secundário relativamente a outro ainda mais importante, a cujo derredor ele perpetua uma marcha lenta e compassada, na companhia de outros sóis da mesma ordem.

 

http://www.apolo11.com/via_lactea.php

 

Poderíamos comprovar esta subordinação sucessiva de sóis a sóis, até sentirmos cansada a imaginação de subir através de tal hierarquia, porquanto, não o esqueçamos, em números redondos, uma trintena de milhões de sóis se pode contar na Via-Láctea, subordinados uns aos outros, como rodas gigantescas de uma engrenagem imensa.

 

I Coríntios 15 : 41 – Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas;

porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor.

 

 

44. – E esses astros, em números incontáveis, vivem vida solidária.

Assim como, na economia do vosso mundinho terrestre, nada se acha isolado, também nada o está no Universo incomensurável.

 

De longe, ao olhar investigador do filósofo que pudesse abarcar o quadro que o espaço e o tempo desdobram, esses sistemas de sistemas pareceriam uma poeira de grãos de ouro levantada em turbilhão pelo sopro divino, que faz voem nos céus os mundos siderais, como voam os grãos de areia no dorso do deserto.

 

Em parte nenhuma há imobilidade, nem silêncio, nem noite!

O grande espetáculo que então se nos desdobraria ante os olhos seria a criação real, imensa e cheia da vida etérea, que no seu formidável conjunto o olhar infinito do Criador abrange.

 

Mas, até aqui, temos falado de uma única nebulosa, que com os milhões de sóis, e os seus milhões de terras habitadas, forma apenas, como já o dissemos, uma ilha no arquipélago infinito.

 

João 5 : 17 – Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

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