Os Três Reinos – Os animais e o homem- I

9 nov

 

Os Três Reinos

 

Livro : O Livro dos Espíritos  (1857) – Parte 2ª – Capítulo XI

 
Os animais e o homem

592 Se compararmos o homem e os animais sob o ponto de vista da inteligência, a linha de demarcação parece difícil de se estabelecer, porque alguns animais têm, sob esse aspecto, uma superioridade notória sobre alguns homens.

Essa linha pode ser estabelecida de uma maneira precisa?

Sobre esse ponto vossos filósofos não estão de acordo em quase nada: uns querem que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem; todos estão errados.

 

O homem é um ser à parte que desce muito baixo algumas vezes, ou que pode se elevar bem alto.

Fisicamente o homem é como os animais, e até menos dotado que muitos deles;

a natureza deu aos animais tudo o que o homem é obrigado a inventar com sua inteligência para satisfazer suas necessidades e sua conservação.

 

Eclesiastes 3 : 18 – 20

18  Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais.

19  Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais;

o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais;

porque tudo é vaidade.

20  Todos vão para o mesmo lugar;

todos procedem do pó e ao pó tornarão.

 

É verdade que seu corpo se destrói como o dos animais, mas seu Espírito tem uma destinação que somente ele pode compreender, porque apenas o homem é completamente livre.

Pobres homens que vos rebaixais além da brutalidade!

Não sabeis vos distinguir?

Reconhecei o homem pelo sentimento que ele tem da existência de Deus.

 

593 Pode-se dizer que os animais agem apenas por instinto?

Ainda assim é um sistema.

É bem verdade que o instinto domina na maioria dos animais, mas não vedes que muitos agem com uma vontade determinada?

É inteligência, porém limitada.

 

Nota de A. K. : Além do instinto, não há como negar a alguns animais atos combinados que expressam uma vontade de agir num sentido determinado e de acordo com as circunstâncias.

Há neles uma espécie de inteligência, cujo exercício é mais exclusivamente concentrado sobre os meios de satisfazerem suas necessidades físicas e proverem à sua conservação.

Entre eles, não há nenhuma criação, nenhum melhoramento;

qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam antigamente, nem melhor, nem pior, conforme formas e proporções constantes e invariáveis.

O filhote, isolado da sua espécie, não deixa de construir seu ninho com o mesmo modelo sem ter recebido o ensinamento.

Se alguns são suscetíveis (sujeito a receber impressões, modificações ou adquirir qualidades) de uma certa educação, seu desenvolvimento intelectual, sempre restrito a limites estreitos, é motivado pela ação do homem sobre uma natureza flexível, uma vez que não fazem nenhum progresso próprio.

Mesmo o que alcançam pela ação do homem é um progresso efêmero e puramente individual, já que o animal, entregue a si mesmo, não tarda a retornar aos limites que a Natureza lhe traçou.

 

594 Os animais têm uma linguagem?

Uma linguagem formada de palavras e de sílabas, não;

mas de um meio de se comunicarem entre eles, sim.

Dizem muito mais coisas do que acreditais;

mas sua linguagem é limitada às suas necessidades, como suas ideias.

 

594 a Há animais que não têm voz;

ao que parece esses não têm linguagem?

Eles se compreendem por outros meios.

Vós, homens, tendes apenas as palavras para se comunicarem?

E os mudos, que dizeis deles?

Os animais, sendo dotados da vida de relação, têm meios de se informar e de exprimir as suas sensações.

Acreditais que os peixes não se entendem entre si?

 

O homem não tem o privilégio exclusivo da linguagem;

embora a dos animais seja instintiva e limitada ao círculo de suas necessidades e ideias, enquanto a do homem é passível de ser aperfeiçoada e se presta a todas as concepções de sua inteligência.

 

☼ Nota de A. K. : Os peixes, de fato, que emigram em massa, e as andorinhas, que obedecem ao guia que as conduz, devem ter meios de se informarem, se entenderem e se combinarem.

Talvez por terem uma visão mais penetrante que lhes permita distinguir os sinais que fazem;

talvez também a água seja um veículo que lhes transmita certas vibrações.

 

O que quer que seja, é incontestável que têm um meio de se entenderem, ocorrendo o mesmo com todos os animais privados da voz e que fazem trabalhos em comum.

Que estranheza pode causar, depois disso, que os Espíritos possam se comunicar entre si sem a ajuda da palavra articulada? (Veja a questão 282.)

 

282 – Como se comunicam entre si os Espíritos ?

Eles se veem e se compreendem.

A palavra é material : é o reflexo do Espírito.

 

O fluido universal estabelece entre eles constante comunicação ;

é o veículo da transmissão de seus pensamentos, como, para vós, o ar o é do som.

 

É uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite que os Espíritos se correspondam de um mundo a outro.”

 

Observação : Naquela época só havia o Telégrafo, como meio de comunicação.

 

TELÉGRAFO

O que é 

O telégrafo é um sistema concebido para transmitir mensagens de um ponto para outro em grandes distâncias, utilizando códigos para a rápida e confiável transmissão. As mensagens eram transmitidas através de um sistema composto por fios.

 

 

História do telégrafo 

Telégrafo é um sistema que foi criado no século XVIII com o objetivo de transmitir mensagens de um ponto para o outro, através de grandes distâncias.

Os telégrafos usavam códigos para que a informação fosse transmitida de forma confiável e rápida. O principal código utilizado pelos telégrafos foi o código Morse, que surgiu com a criação de telégrafo elétrico na década de 1830. Samuel Morse criou e registrou a patente do telégrafo no ano de 1837.

O telégrafo foi o principal sistema de comunicação a longa distância nos séculos XIX e começo do século XX. Foi muito utilizado por indústrias, governos e até mesmo pelas forças armadas de diversos países em momentos de guerra.

Com o surgimento e disseminação do telefone, principalmente na primeira metade do século XX, o telégrafo foi sendo preterido.

 

Observação 2 : Atualmente, temos também a Internet , Transcomunicação  Instrumental e outras tecnologias em Comunicação.

 

 

595 Os animais têm o livre-arbítrio de seus atos?

Eles não são simples máquinas, como se pode supor;

mas sua liberdade de ação é limitada às suas necessidades e não se pode comparar à do homem.

Sendo muito inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres.

Sua liberdade é restrita aos atos da vida material.

 

596 De onde vem a aptidão de alguns animais em imitar a linguagem do homem e por que essa aptidão se encontra mais nos pássaros do que no macaco, por exemplo, cuja conformação tem mais semelhança com o homem?

É pela conformação particular dos órgãos da voz, favorecida pelo instinto de imitação;

o macaco imita os gestos, alguns pássaros imitam a voz.

 

597 Se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?

Sim, e que sobrevive ao corpo.

 

 

 

597 a Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?

É também uma alma, se quiserdes, depende do sentido que se dá a essa palavra;

mas é inferior à do homem.

Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto há entre a alma do homem e Deus.

 

598 A alma dos animais conserva, após a morte, sua individualidade e a consciência de si mesma?

Sua individualidade, sim, mas não a consciência de seu eu. A vida inteligente continua no estado latente. (neste caso (fig.), oculto, não manifesto. Aguardando o momento propício para vir à luz.)

 

599 A alma dos animais tem a escolha de encarnar em um animal em vez de outro?

Não; ela não tem o livre-arbítrio.

 

600 A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, estará, depois da morte, na erraticidade, como a do homem?

É uma espécie de erraticidade, uma vez que não está mais unida ao corpo, mas não é um Espírito errante.

O Espírito errante é um ser que pensa e age de acordo com sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade.

 

A consciência de si mesmo é o que constitui o atributo principal do Espírito.

O espírito do animal é classificado após sua morte pelos Espíritos a quem compete essa tarefa e quase imediatamente utilizado; não há tempo de se colocar em relação com outras criaturas.

 

Erraticidade : estado dos espíritos errantes, ou erráticos, isto é, não encarnados, durante o intervalo de suas existências corpóreas ( Dicionário de Doutrina Espírita).

 

 

601 Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens?

Sim, por isso, nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais também o são, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos;

mas são sempre inferiores e submissos ao homem, são para ele servidores inteligentes.

 

☼ Nota de A. K. : Não há nada de extraordinário nisso.

Imaginemos nossos animais, os mais inteligentes, o cão, o elefante, o cavalo, com uma conformação apropriada aos trabalhos manuais.

Que não poderiam fazer sob a direção do homem?

 

 

602 Os animais progridem, como o homem, pela ação de sua vontade ou pela força das coisas?

Pela força das coisas;

é por isso que para eles não há expiação.

 

 

603 Nos mundos superiores, os animais conhecem Deus?

Não; para eles o homem é um deus, como antigamente os Espíritos foram deuses para os homens.

 

604 Os animais, mesmo os aperfeiçoados nos mundos superiores, são sempre inferiores ao homem.

Isso significa que Deus teria criado seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade, o que parece estar em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se distingue em todas as suas obras.

Tudo se encaixa na natureza pelos laços que não podeis ainda compreender, e as coisas mais desiguais na aparência têm pontos de contato que o homem nunca chegará a compreender na sua condição atual.

 

Ele pode entrevê-los pelo esforço de sua inteligência, mas somente quando essa inteligência tiver adquirido todo desenvolvimento e estiver livre dos preconceitos do orgulho e da ignorância é que poderá ver claramente na obra de Deus.

Enquanto isso não acontece, suas ideias limitadas lhe fazem ver as coisas sob um ponto de vista mesquinho e restrito.

 

Sabei bem que Deus não pode se contradizer e que tudo, na natureza, se harmoniza pelas leis gerais que nunca se afastam da sublime sabedoria do Criador.

 

604 a A inteligência é, assim, uma propriedade comum, um ponto de contato entre a alma dos animais e a do homem?

Sim, mas os animais têm apenas a inteligência da vida material;

para o homem, a inteligência produz a manifestação da vida moral.

 

Provérbios 12 : 10 – O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.

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Observação : Irei completar este estudo no próximo Post.

 

 

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